Maputo, 27 de Set (AIM) – Duas décadas depois de iniciar as suas actividades em Moçambique, a multinacional italiana Eni, faz um balanço da sua presença no país marcado pela descoberta de vastos recursos de gás natural, pelo desenvolvimento de projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) e por investimentos em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento económico e social.
A trajectória é apresentada no segundo Relatório Local de Sustentabilidade da empresa, intitulado “20 Anos da Eni em Moçambique: Juntos Crescemos 2025”, apresentado em Pemba, provincia de Cabo Delgado, durante um fórum com partes interessadas que reuniu autoridades governamentais, parceiros institucionais, representantes da sociedade civil e outros actores.
O documento mostra como a actividade da empresa evoluiu desde 2006, passando da fase de exploração e descoberta de recursos na Bacia do Rovuma para uma estratégia que combina produção de gás, desenvolvimento de fornecedores nacionais e programas de apoio às comunidades.
Entenda o caso
“Vinte anos em Moçambique ensinaram-nos que criar valor vai muito para além de desenvolver recursos energéticos”, afirmou Francesco Gasparri, Director-Geral da Eni Rovuma Basin.
Segundo Gasparri, o compromisso da empresa passa também pelo desenvolvimento de capacidades, fortalecimento das parcerias locais e investimento em condições que permitam às comunidades e ao país crescer de forma sustentável.
Um dos indicadores destacados pela Eni é a participação de empresas moçambicanas na cadeia de fornecimento.
Desde 2016, a empresa afirma ter adjudicado cerca de mil milhões de dólares norte-americanos em contratos a fornecedores moçambicanos, enquanto os seus trabalhadores nacionais beneficiaram de oportunidades de formação dentro e fora do país.
Em 2025, a estratégia de envolvimento empresarial ganhou novos instrumentos, entre os quais os Eni Open Days, iniciativa que colocou a empresa em contacto com mais de 200 empresas locais de sectores considerados estratégicos.
A aposta pretende aumentar a capacidade de participação do sector privado nacional numa indústria que exige elevados níveis de especialização e capacidade técnica.
A história da Eni em Moçambique está directamente ligada à transformação da Bacia do Rovuma numa das principais áreas de desenvolvimento de gás natural do país.
Entre 2011 e 2014, a empresa anunciou importantes descobertas nos reservatórios Coral, Complexo Mamba e Agulha, estimando cerca de 2.400 biliões de metros cúbicos de gás no local.
A Eni é actualmente operadora do Projecto Coral Sul, considerado o primeiro projecto a produzir gás natural na Bacia do Rovuma, e do Projecto Coral Norte, cujo início de produção está previsto para 2028.
O desenvolvimento destes recursos representa uma das principais frentes da actividade da empresa no país, ao mesmo tempo que coloca sobre a indústria a expectativa de contribuir para o desenvolvimento económico e para a criação de oportunidades para empresas e trabalhadores nacionais.
Para além do sector energético, o relatório apresenta resultados de programas sociais desenvolvidos ou apoiados pela empresa.
Na área da educação, cerca de 6.000 estudantes terão beneficiado de iniciativas destinadas a melhorar o acesso a uma educação de qualidade.
Na saúde, os programas apoiados pela Eni terão alcançado aproximadamente 40.000 mulheres e crianças.
Em Cabo Delgado, um dos investimentos destacados é a instalação do primeiro Tomógrafo Axial Computarizado (TAC) disponível na província, no Hospital Provincial de Pemba.
A instalação do equipamento reduziu a necessidade de encaminhamento de pacientes para Nampula, localizada a cerca de 365 quilómetros de Pemba. Desde a sua instalação, foram realizados mais de 1.500 exames de tomografia, segundo os dados apresentados pela empresa.
O investimento surge num contexto em que o reforço da capacidade de diagnóstico constitui uma das necessidades relevantes do sistema de saúde da província.
No distrito de Mecúfi, também em Cabo Delgado, os programas da Eni concentraram-se no acesso à água, saneamento e promoção de meios de subsistência.
De acordo com o relatório, estas iniciativas beneficiaram mais de 37.000 pessoas, procurando melhorar as condições básicas de vida e criar alternativas económicas para as comunidades abrangidas.
A diversificação económica é apresentada pela empresa como uma componente central da sua estratégia de desenvolvimento local, juntamente com investimentos em educação, saúde, água, energia e oportunidades económicas.
O que acontece agora
A agenda de sustentabilidade inclui igualmente iniciativas relacionadas com a protecção ambiental e a transição energética.
Desde 2023, o programa de cozinha limpa da Eni distribuiu mais de 200.000 fogões melhorados nas províncias de Maputo, Sofala e Manica.
A iniciativa integra uma meta mais ampla da empresa de alcançar até dois milhões de pessoas até 2028, através da expansão do acesso a soluções de cozinha consideradas mais eficientes.
No domínio da conservação, a Eni apoia também o Projecto REDD+ do Grande Limpopo, que combina conservação florestal com iniciativas destinadas a promover meios de subsistência sustentáveis.
O projecto abrange uma área de aproximadamente 3,6 milhões de hectares, distribuída por quatro províncias, e envolve cerca de 320.000 membros das comunidades beneficiárias, segundo os dados apresentados no relatório.
Ao assinalar 20 anos de actividade em Moçambique, a Eni procura apresentar a sua trajectória não apenas através dos projectos de gás natural, mas também através dos investimentos realizados nas comunidades e na economia nacional.
A empresa sustenta que o conceito “Juntos Crescemos” traduz uma estratégia de longo prazo assente na criação de valor partilhado, no reforço das capacidades locais e na promoção de um crescimento inclusivo.
“À medida que Moçambique prossegue a sua trajectória de crescimento, mantemos o nosso compromisso de criar oportunidades e contribuir para um futuro mais próspero”, afirmou Francesco Gasparri.
Com o Coral Sul já em produção e o Coral Norte em desenvolvimento, a próxima fase da presença da Eni em Moçambique deverá continuar a ser marcada pela evolução da indústria do gás, mas também pela capacidade de transformar a actividade económica em oportunidades para empresas, trabalhadores e comunidades locais. (AIM)
Fonte original: aimnews.org


