Projectos portuários deverão gerar 34 mil empregos directos e indirectos em Nador e elevar a capacidade de Tanger Med para 20 milhões de contentores por ano
Rabat, 29 de Outubro de 2026 — O Rei Mohammed VI presidiu, na quarta-feira, a uma sessão de trabalho no Palácio Real de Rabat, dedicada ao avanço do complexo portuário e industrial de Nador West Med e à expansão do porto de Tanger Med, dois projectos estratégicos que visam reforçar a posição de Marrocos nas cadeias globais de logística, indústria e energia.
Segundo um comunicado do Gabinete Real, o complexo Nador West Med já mobilizou investimentos públicos e privados de 54 mil milhões de dirhams. O primeiro terminal de contentores deverá entrar em funcionamento nos próximos dias, enquanto um segundo terminal tem início de operações previsto para Abril de 2027.
Em paralelo, Marrocos prepara o arranque da construção do novo porto Tanger Med 3, que acrescentará uma capacidade anual de 4,5 milhões de contentores ao actual complexo portuário, mediante um investimento de oito mil milhões de dirhams.
Os dois projectos integram a estratégia do Reino para desenvolver um sistema portuário de elevada capacidade, capaz de responder à reorganização das cadeias de abastecimento internacionais, atrair investimento e promover o desenvolvimento económico dos territórios envolvidos.
Nador West Med prevê criar 34 mil empregos
Localizado na região nordeste de Marrocos, o complexo Nador West Med foi concebido para complementar a actividade de Tanger Med, combinando infra-estruturas portuárias com plataformas industriais, logísticas e energéticas.
De acordo com o comunicado, o primeiro terminal de contentores terá, na sua fase inicial, capacidade para movimentar 3,5 milhões de contentores. O segundo terminal, cuja entrada em funcionamento está prevista para Abril de 2027, acrescentará uma capacidade de 1,8 milhões de contentores.
Os dois terminais representam, em conjunto, investimentos privados de oito mil milhões de dirhams.
O projecto integra ainda infra-estruturas destinadas ao transporte e armazenamento de hidrocarbonetos, bem como um terminal de gás natural liquefeito (GNL), com capacidade para processar até cinco mil milhões de metros cúbicos por ano.
A componente de hidrocarbonetos inclui um terminal específico e uma área de armazenamento com capacidade potencial de quatro milhões de metros cúbicos. Estas infra-estruturas fazem parte dos esforços de reforço da segurança energética de Marrocos, segundo o Gabinete Real.
A oferta portuária será completada por terminais destinados à carga a granel seca e à carga geral, ampliando a capacidade do complexo para responder a diferentes segmentos do comércio marítimo.
Na componente industrial, a zona de Nador West Med já se encontra em funcionamento, com uma fábrica operacional e outras três em construção. As autoridades marroquinas esperam que a instalação de novas empresas impulsione a actividade económica e a criação de postos de trabalho.
As projecções apresentadas ao Rei apontam para a criação, a curto prazo, de 14 mil empregos directos e 20 mil indirectos, num total de 34 mil oportunidades de trabalho associadas ao complexo.
Ferrovias e estradas para ligar o porto à economia regional
A estratégia de Nador West Med inclui também o desenvolvimento das infra-estruturas de ligação entre o complexo e as zonas económicas circundantes.
Entre as intervenções previstas estão a ligação ferroviária Selouane–Nador West Med, a auto-estrada Guercif–Nador West Med e a modernização da rede rodoviária.
Estas ligações deverão facilitar o transporte de mercadorias, melhorar a integração do porto com os centros de produção e distribuição e ampliar o acesso das empresas regionais às redes logísticas nacionais e internacionais.
A aposta nas infra-estruturas de transporte acompanha, assim, a intenção de transformar Nador West Med num pólo industrial e logístico, e não apenas num ponto de entrada e saída de mercadorias.
Tanger Med 3 acrescentará 4,5 milhões de contentores
O segundo eixo da reunião foi a expansão de Tanger Med, o complexo portuário situado no norte de Marrocos, através da construção do novo porto Tanger Med 3.
O projecto ficará localizado a oeste de Tanger Med 2 e contará com 1.200 metros de cais, permitindo acrescentar uma capacidade anual de 4,5 milhões de contentores. O investimento previsto é de oito mil milhões de dirhams.
O Gabinete Real informou que foi assinado um contrato de concessão com a Maersk-APM, empresa ligada ao sector internacional do transporte marítimo, para o desenvolvimento do novo terminal de contentores.
O plano inclui igualmente a expansão do terminal de passageiros e de carga roll-on/roll-off (Ro-Ro), modalidade utilizada no transporte de veículos e outras cargas que entram e saem dos navios por meios próprios ou sobre rodas, bem como a extensão para leste de Tanger Med 2.
Com a concretização destas intervenções, o complexo de Tanger Med poderá alcançar uma capacidade total de 20 milhões de contentores por ano, colocando-o, segundo a previsão apresentada, entre os dez maiores portos do mundo.
A expansão deverá reforçar a capacidade de Marrocos para captar fluxos comerciais internacionais, servir as redes de transporte marítimo e atrair actividades industriais dependentes da proximidade a infra-estruturas portuárias de grande escala.
Rei exige benefícios concretos para as populações locais
Apesar da dimensão dos investimentos e das metas de capacidade, Mohammed VI destacou a necessidade de assegurar que os resultados económicos dos projectos sejam acompanhados por benefícios sociais para as comunidades das regiões abrangidas.
No final da sessão de trabalho, o monarca sublinhou a necessidade imperativa de que os benefícios económicos e sociais dos empreendimentos se estendam a todas as províncias envolvidas e se traduzam em melhorias concretas para as populações locais.
Neste contexto, solicitou a aceleração dos programas de formação profissional adaptados às necessidades dos sectores emergentes, com o objectivo de facilitar a integração dos jovens no mercado de trabalho.
A orientação coloca a qualificação da mão-de-obra e a empregabilidade no centro da implementação dos projectos, num contexto em que a expansão portuária pretende atrair novas empresas e desenvolver actividades industriais, logísticas e energéticas.
O desafio será transformar a capacidade adicional de movimentação de mercadorias e os investimentos anunciados em emprego sustentável, oportunidades para as empresas locais e melhores condições de vida para as populações.
Estratégia para reforçar a competitividade internacional
Os projectos de Nador West Med e Tanger Med enquadram-se numa visão de desenvolvimento que procura combinar a competitividade internacional com uma distribuição territorial mais ampla dos investimentos.
Segundo o comunicado, esta ambição passa pela mobilização de capital privado, pela aplicação de investimento público em infra-estruturas estratégicas e pela criação de oportunidades económicas nas regiões envolvidas.
A complementaridade entre os dois complexos deverá permitir a Marrocos ampliar a sua oferta logística e industrial, reforçar a componente energética e responder às mudanças nas cadeias globais de valor.
A reunião de quarta-feira deu continuidade às sessões de trabalho promovidas pelo Rei para acompanhar grandes projectos portuários nacionais, incluindo uma reunião realizada em 28 de Janeiro deste ano.
Participaram no encontro o conselheiro real Fouad Ali El Himma; o ministro do Interior, Abdelouafi Laftit; o ministro da Economia, Finanças e Desempenho Público, Fouzi Lekjaa; o ministro dos Equipamentos, Água e Florestas, Nizar Baraka; o ministro da Indústria, Comércio, Investimento e Inclusão Económica, Ryad Mezzour; e Fouad Brini, presidente do Conselho de Supervisão da TMSA e do Conselho de Administração de Nador West Med.
Com o avanço de Nador West Med e o lançamento de Tanger Med 3, Marrocos procura consolidar a sua capacidade de servir o comércio internacional e atrair investimento produtivo. A concretização dos prazos anunciados, a criação efectiva de emprego e a distribuição dos benefícios pelas comunidades locais serão elementos centrais para avaliar o impacto económico e social dos dois empreendimentos.

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