Onório Manuel defende maior integração ferroviária e rodoviária, modernização das infra-estruturas, simplificação das fronteiras e mobilização de capital privado para reforçar a competitividade de Moçambique na África Austral.
Ler mais: CTA quer transformar corredores logísticos em motores de investimento regionalA Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que a capacidade de Moçambique para se afirmar como plataforma regional de comércio e investimento depende da modernização dos corredores logísticos, da redução dos custos de transporte e da eliminação dos constrangimentos que afectam a circulação de mercadorias nas fronteiras.
A posição foi defendida pelo vice-presidente da CTA, Onório Manuel, durante a primeira edição do Fórum Regional de Maputo, que contou com a presença do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e reuniu diferentes intervenientes interessados no desenvolvimento económico e na integração comercial da África Austral.
Na sua intervenção, o dirigente apontou que os portos moçambicanos movimentaram cerca de 66,5 milhões de toneladas de carga em 2024, enquanto o Porto de Maputo atingiu um recorde de 32 milhões de toneladas em 2025. Apesar destes indicadores, considera que o país ainda não consegue converter plenamente a sua capacidade logística em maiores oportunidades de comércio e investimento.
Para a CTA, os tempos de trânsito, as limitações da capacidade ferroviária e os procedimentos fronteiriços continuam a representar obstáculos à competitividade dos corredores nacionais, condicionando a rapidez e os custos das operações comerciais.
Cinco prioridades para mudar o panorama logístico
Para inverter este cenário, a CTA propõe cinco áreas de intervenção que considera determinantes para reforçar a posição de Moçambique como plataforma de circulação de mercadorias na região.
A primeira consiste na integração efectiva dos corredores de Maputo, Beira e Nacala com os mercados regionais, mediante o reforço das ligações ferroviárias, rodoviárias e fronteiriças.
A segunda prioridade passa pelo desenvolvimento de infra-estruturas complementares, nomeadamente portos secos, armazéns, instalações de cadeia de frio e plataformas de distribuição, destinadas a aumentar a capacidade de armazenamento e melhorar a movimentação de mercadorias.
No terceiro eixo, a organização empresarial defende a mobilização de capital privado, concessões e parcerias público-privadas, através de modelos de negócio sustentáveis e contratos que permitam uma distribuição adequada dos riscos entre os investidores e os demais intervenientes.
A quarta proposta incide sobre a simplificação dos procedimentos fronteiriços e a digitalização dos serviços, através de uma janela única logística, bem como o aproveitamento da cabotagem como alternativa complementar ao transporte rodoviário.
A quinta prioridade consiste em assegurar a integração das empresas nacionais nas cadeias de fornecimento, manutenção, engenharia, tecnologia e prestação de serviços, para que os investimentos realizados no sector logístico também produzam benefícios directos para a economia moçambicana.
Segundo Onório Manuel, a competitividade de um corredor não deve ser avaliada apenas pela capacidade de movimentação dos seus portos, mas sobretudo pelo custo e pela previsibilidade com que as mercadorias chegam ao destino final.
O dirigente observou que a existência de capacidade ferroviária disponível não resolve os problemas quando faltam equipamentos do outro lado da fronteira, assim como a eficiência portuária perde expressão quando as mercadorias permanecem retidas nos terminais ou enfrentam procedimentos aduaneiros demorados.
Capital privado e roteiro logístico 2026–2030
Perante as necessidades de modernização das infra-estruturas e as limitações do financiamento público, a CTA considera fundamental criar condições para atrair investidores privados e instituições de financiamento de desenvolvimento, através de projectos economicamente sustentáveis e mecanismos adequados de distribuição de riscos.
Entre as oportunidades identificadas estão a armazenagem de cereais, instalações de frio, equipamentos portuários, transporte ferroviário, manutenção, sistemas de rastreamento digital e serviços especializados.
Neste contexto, a organização propõe que o Fórum Regional de Maputo contribua para a construção de um roteiro de investimento, transporte e logística para o período 2026–2030, acompanhado de uma carteira de projectos prioritários.
A CTA manifesta disponibilidade para trabalhar com o Governo, os países vizinhos, instituições financeiras e operadores económicos na identificação de soluções que permitam reduzir os custos logísticos, melhorar a integração regional e ampliar a participação das empresas nacionais.
A organização entende que Moçambique reúne condições geográficas e infra-estruturais para reforçar a sua posição como porta de entrada comercial para a África Austral, mas considera que essa ambição exige eficiência operacional, previsibilidade regulatória e investimentos orientados para os principais pontos de estrangulamento do sistema logístico.

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