Ministério da Educação e Cultura e sector privado criam dois grupos de trabalho para alinhar a formação académica às necessidades do mercado, promover a indústria cultural e mobilizar empresas para melhorar as condições de ensino primário.
Ler mais: Governo e CTA aproximam universidades das empresas e reforçam valorização da culturaO Governo, através do Ministério da Educação e Cultura, pretende reforçar a ligação entre as instituições de ensino superior e o sector produtivo nacional, de modo a adequar a formação académica às necessidades do mercado de trabalho e melhorar a preparação profissional dos estudantes.
A iniciativa foi anunciada pelo ministro da Educação e Cultura, Edson Macuácua, após uma sessão de trabalho com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), na qual foram identificadas três áreas prioritárias de cooperação, nomeadamente a articulação entre a educação e o sistema produtivo, a valorização das artes e da cultura e o reforço da responsabilidade social das empresas no sector da educação.

No domínio da formação superior, o governante defende uma aproximação efectiva entre as universidades e as empresas, permitindo que os estudantes combinem conhecimentos teóricos com experiências práticas nos locais de trabalho.
A articulação deverá ocorrer em três fases: na definição dos programas e conteúdos de ensino, durante o processo de formação e após a conclusão dos cursos, através do acompanhamento dos graduados nas empresas.
Segundo Macuácua, a intenção é garantir que os conteúdos leccionados correspondam às necessidades do mercado, enquanto os estudantes desenvolvem, desde o início da formação, habilidades, atitudes e competências profissionais.
O ministro entende que esta aproximação permitirá desenvolver uma cultura de trabalho e o domínio do saber-fazer, reduzindo a distância entre a formação académica e as exigências do sector produtivo.
Cultura e indústria criativa
A segunda área de cooperação está relacionada com a aproximação entre os fazedores das artes e da cultura e os empresários que operam na indústria cultural.
O objectivo é promover maior valorização da produção artístico-cultural moçambicana, aumentar a contribuição da cultura para o Produto Interno Bruto (PIB) e assegurar o respeito pelos direitos de autor.
Neste contexto, o Governo pretende criar condições para que os artistas nacionais sejam devidamente remunerados pela utilização das suas obras em diferentes actividades económicas, particularmente nos sectores do turismo, hotelaria e cultura.
Para aprofundar esta componente, será criado um grupo de trabalho destinado a identificar mecanismos de articulação entre os artistas e os operadores económicos da indústria cultural.
Empresas chamadas a apoiar escolas primárias

A terceira dimensão incide sobre a responsabilidade social corporativa, tendo o Ministério da Educação e Cultura lançado um desafio à CTA para liderar a mobilização e sensibilização das empresas, de modo a aumentar o apoio ao sector da educação, com particular incidência no ensino primário.
A preocupação do Governo está relacionada com as condições em que milhares de crianças continuam a frequentar aulas, algumas debaixo de árvores e outras sentadas no chão, sem acesso a carteiras.
Macuácua considera que a existência de salas de aula cobertas e de mobiliário escolar constitui uma condição básica para garantir um ambiente adequado de aprendizagem e melhorar a qualidade do ensino no país.
Como mecanismo de operacionalização das iniciativas, o Ministério da Educação e Cultura e a CTA criaram dois grupos de trabalho conjuntos. O primeiro deverá definir metodologias para aproximar as instituições de ensino superior do sector produtivo e adequar a formação às necessidades do mercado de trabalho.
O segundo ficará responsável pelo aprofundamento das questões relacionadas com a ligação entre os fazedores das artes e da cultura e os empresários da indústria cultural, com vista à valorização da produção nacional e à garantia de remuneração dos artistas pela utilização das suas obras.
A iniciativa pretende estabelecer uma cooperação mais estruturada entre o Governo e o sector privado, envolvendo a educação, a cultura e o tecido empresarial na formação do capital humano e no desenvolvimento económico nacional.

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