AUGUSTO PELEMBE ACUSA POLÍCIA JUDICIÁRIA PORTUGUESA DE INVESTIGAÇÃO “FANTASMA” EM MAPUTO

Maputo — O antigo candidato à Presidência da República de Moçambique e atual membro da Assembleia Municipal da Matola, Augusto Pelembe, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), lançou duras acusações contra a Polícia Judiciária Portuguesa (PJ), alegando falta de rigor, transparência e seriedade na investigação da morte do banqueiro Pedro Reis, funcionário do Banco Comercial de Investimentos (BCI).
A morte de Pedro Reis ocorreu num quarto do Hotel Polana, em Maputo, tendo sido oficialmente confirmada pelas autoridades moçambicanas, através do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em coordenação com a Polícia Judiciária Portuguesa. Ambas as instituições concluíram que o caso se tratou de suicídio, ocorrido na casa de banho do hotel.
No entanto, esta versão oficial é fortemente contestada por Augusto Pelembe, que considera o processo investigativo superficial, opaco e desprovido de credibilidade, levantando sérias dúvidas quanto ao real empenho das autoridades portuguesas no esclarecimento do caso.
“NÃO HOUVE INVESTIGAÇÃO, HOUVE TURISMO”
Durante um debate público em que participou como comentador político, Pelembe foi particularmente incisivo ao afirmar que a Polícia Judiciária Portuguesa não realizou qualquer investigação digna desse nome. Segundo ele, a presença da PJ em Maputo teve apenas um caráter simbólico e mediático.
“A Polícia Judiciária Portuguesa não veio investigar coisa nenhuma. Vieram apenas a Maputo para aparecer diante das câmaras, comer camarão e fazer turismo nas praias moçambicanas, como a Ponta do Ouro”, afirmou Pelembe, em tom crítico.
O político do MDM sustenta que não foram tornados públicos elementos técnicos essenciais, como relatórios forenses detalhados, perícias independentes, reconstituição dos factos ou esclarecimentos convincentes sobre as circunstâncias da morte do banqueiro.
SILÊNCIO, FALTA DE TRANSPARÊNCIA E DÚVIDAS PERSISTENTES
Para Augusto Pelembe, a rapidez com que o caso foi encerrado como suicídio levanta suspeitas legítimas, sobretudo tendo em conta o perfil da vítima e o contexto em que ocorreu a morte. O dirigente municipal questiona ainda a ausência de comunicação clara às autoridades moçambicanas, à família da vítima e à opinião pública.
Segundo ele, a atuação da Polícia Judiciária Portuguesa não respeitou princípios básicos de cooperação internacional, transparência institucional e responsabilidade pública, o que fragiliza a confiança dos cidadãos nas conclusões apresentadas.
APEL0 À VERDADE E À RESPONSABILIZAÇÃO
Augusto Pelembe defende a necessidade de uma reabertura do processo, com a constituição de uma equipa de investigação verdadeiramente independente, capaz de esclarecer, de forma imparcial e técnica, todas as circunstâncias que envolvem a morte de Pedro Reis.
“O povo moçambicano merece a verdade. Não se pode encerrar um caso desta gravidade com conclusões apressadas e investigações de fachada”, concluiu.
Até ao momento, a Polícia Judiciária Portuguesa e o SERNIC não reagiram publicamente às acusações feitas por Augusto Pelembe.

Ângelo Zacarias

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