Maputo, 28 Set (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, defende a necessidade de transformar as excelentes relações político-diplomáticas entre Moçambique e Botsuana em relações económicas e comerciais mais fortes, capazes de gerar investimentos, produção e emprego nos dois países.
“As nossas relações político-diplomáticas são excelentes, agora precisamos de reforçar relações económicas e comerciais. É esta a realidade que queremos mudar nesta visita de Estado”, afirmou Chapo, falando hoje em Gaborone, no Fórum de Negócios Moçambique–Botsuana.
O Chefe do Estado observou que, apesar da proximidade entre os dois países, o nível das trocas comerciais permanece reduzido, indicando que, entre 2021 e 2025, Moçambique exportou para Botsuana bens avaliados em cerca de 79 milhões de dólares norte-americanos e importou aproximadamente 13 milhões de dólares.
Entenda o caso
Segundo Chapo, em 2025, o mercado botsuanês representou apenas 0,1 por cento das exportações moçambicanas, situação que considera distante do potencial económico dos dois países.
“Estes números estão muito aquém do potencial das nossas economias, tanto do Botsuana como do Moçambique e da qualidade das nossas relações político-diplomáticas”, disse.
Perante este cenário, Chapo propôs uma nova dinâmica de cooperação, assente no comércio, investimento, produção, industrialização e criação de emprego, apontando quatro áreas consideradas estratégicas: logística e transportes; agricultura, pecuária e agroprocessamento; turismo; e industrialização.
Na área agrícola, destacou a possibilidade de combinação das terras e recursos hídricos de Moçambique com a experiência do Botsuana no sector pecuário, através de investimentos conjuntos.
“Queremos produzir, processar, transportar e comercializar juntos na SADC e no mundo, acrescendo valor nos nossos países e construindo cadeias agroindustriais capazes de gerar segurança alimentar para os nossos povos, exportações e emprego para a nossa juventude e mulheres sobretudo”, afirmou.
No turismo, o Presidente propôs a criação de circuitos integrados que associem a oferta de safari do Botsuana aos destinos turísticos moçambicanos, incluindo Bazaruto, Ponta do Ouro e Quirimbas.
Para a industrialização, defendeu uma mudança do actual modelo baseado na exportação de matérias-primas e importação de produtos transformados, aproveitando o potencial energético e os recursos disponíveis no país.
O que acontece agora
Chapo garantiu que o Governo está a trabalhar na reforma do quadro legal, incluindo nas áreas de conteúdo local, minas e petróleo, para criar condições mais favoráveis à realização de investimentos.
“O capital procura mercados, mas procura também previsibilidade, segurança, eficiência e confiança”, sublinhou.
No domínio da logística, reiterou o convite às empresas do Botsuana para utilizarem as infra-estruturas moçambicanas, incluindo os portos de Maputo, Beira e Nacala e os respectivos corredores de desenvolvimento, como plataformas para o comércio regional.
Ao terminar, Chapo apelou aos empresários dos dois países a não aguardarem por melhores condições no futuro, mas a transformarem desde já a proximidade geográfica em oportunidades económicas.
“Por isso, não esperem pelo futuro, construam-no connosco, transformemos a nossa geografia em economia, a nossa amizade em negócios e os nossos negócios em prosperidade partilhada”, concluiu.
Fonte original: aimnews.org





