A cidade de Maputo e a província de Maputo enfrentam uma crescente crise de combustíveis, marcada por restrições no abastecimento e longas filas nos postos. Em várias bombas visitadas pela equipa do Jornal Visão Moçambique, automobilistas relataram estar a ser obrigados a abastecer apenas até ao limite de 1.000 meticais por viatura.
Durante rondas realizadas em diferentes artérias da capital, a equipa constatou um cenário preocupante: postos com reservas reduzidas e, em alguns casos, já sem combustível disponível. A situação contrasta com declarações recentes do Presidente da República, Daniel Chapo, que garantiu publicamente que o país dispõe de reservas suficientes de combustível, pelo menos até maio de 2026, mesmo diante das incertezas provocadas pela instabilidade no Médio Oriente.
No terreno, porém, a realidade parece ser outra. A escassez já começa a fazer-se sentir, com limitações impostas aos consumidores. O valor máximo de abastecimento 1.000 meticais corresponde a aproximadamente 12 litros de combustível, quantidade considerada insuficiente por muitos automobilistas para as suas necessidades diárias.
Um trabalhador de um dos postos de abastecimento, que falou sob anonimato por receio de represálias, confirmou a existência de orientações internas para restringir o abastecimento:
“Boss, não temos como abastecer mais do que 1.000 meticais. Temos recomendação de abastecer esse valor por cada viatura, o que corresponde a cerca de 12 litros.”
A medida, segundo fontes no local, visa prolongar as reservas disponíveis face à incerteza no fornecimento. Entretanto, a população mostra-se apreensiva quanto à evolução da situação, temendo um agravamento da crise nos próximos dias.
Especialistas alertam que, caso não haja reposição regular dos combustíveis, o impacto poderá estender-se a vários sectores da economia, afectando transportes, comércio e serviços essenciais.
A situação continua a ser acompanhada de perto, enquanto os automobilistas aguardam por respostas mais concretas das autoridades.
