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DE CHIMOIO PARA O MUNDO: CHAPO COLOCA O POVO NO CENTRO DA CONQUISTA DA INDEPENDÊNCIA ECONÓMICA DE MOÇAMBIQUE

Por: Ângelo Manhengue, Enviado Especial

Chimoio, Província de ManicaJornal Visão Moçambique

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026

CHIMOIO — A cidade de Chimoio, capital da Província de Manica, acolhe desde esta sexta-feira, 21 de Agosto, a XI Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, fórum que reúne dirigentes, quadros e representantes do partido para discutir as principais linhas políticas e económicas para os próximos anos.

Com duração prevista de três dias, a conferência iniciou com um discurso de abertura proferido por Daniel Francisco Chapo, Presidente da Frelimo, que colocou a população no centro da estratégia defendida pelo partido para a conquista da independência económica de Moçambique.

Perante os participantes, Chapo defendeu a necessidade de uma maior ligação entre a Frelimo e a população, apontando a industrialização, a modernização da agricultura, a valorização dos recursos naturais, o combate à corrupção e a participação dos cidadãos como elementos centrais da estratégia para os próximos 50 anos.

Segundo dados apresentados no encontro, a Frelimo conta com mais de seis milhões de membros no país e na diáspora. A conferência reúne igualmente convidados de diferentes sectores da sociedade.

O povo como ponto de partida e de chegada

O discurso de abertura foi marcado pela recuperação da matriz popular da Frelimo. Daniel Chapo citou o antigo Presidente da República e dirigente histórico da Frelimo, Samora Moisés Machel, para recordar que “a nossa força principal, a nossa razão de ser é o povo”.

A partir desta referência, o Presidente da Frelimo defendeu que o partido deve manter uma ligação permanente com as populações e conhecer as suas preocupações antes de definir as suas prioridades políticas.

“Ser partido do povo hoje significa estar onde o povo está, escutar as suas preocupações, compreender as suas aspirações e transformar essa escuta em política e resultados”, afirmou.

Chapo defendeu igualmente uma postura de auto-avaliação dentro da organização, reconhecendo a necessidade de identificar erros, corrigir práticas e combater comportamentos que possam comprometer a confiança dos cidadãos nas instituições.

“A nossa história confere-nos grande experiência que temos que respeitar, mas o futuro exige-nos renovação”, afirmou.

Na sua intervenção, o líder da Frelimo destacou ainda a importância da integridade, da competência e da participação das novas gerações na condução dos destinos do país.

Independência económica como desafio para os próximos 50 anos

Ao fazer uma leitura dos primeiros 50 anos de independência de Moçambique, Daniel Chapo apresentou uma nova etapa como desafio nacional: a conquista da independência económica.

Segundo o dirigente, os primeiros 50 anos foram marcados pela conquista e consolidação da independência política, da soberania e da unidade nacional. Para os próximos 50 anos, defendeu uma agenda centrada na transformação económica e na capacidade de Moçambique produzir, processar e gerar maior valor dentro das suas fronteiras.

“Este é o grande desafio geracional do nosso tempo”, afirmou Chapo.

O Presidente da Frelimo apelou, neste contexto, à mobilização de camponeses, operários, empresários, funcionários públicos, jovens e mulheres para participarem no processo de transformação económica.

Chapo esclareceu, contudo, que a independência económica não deve ser entendida como isolamento internacional.

A estratégia defendida passa pela manutenção da cooperação internacional e pela atracção de investimento estrangeiro, mas com Moçambique a procurar reforçar a sua capacidade de decisão e de intervenção na economia global.

A autossuficiência alimentar foi igualmente apresentada como uma das prioridades, com o objectivo de reduzir a dependência externa e combater a fome através do aumento da produção nacional.

Industrialização e reformas económicas

A transformação estrutural da economia esteve entre os principais pontos do discurso de abertura.

Daniel Chapo defendeu a industrialização e a modernização da agricultura como instrumentos fundamentais para acelerar o desenvolvimento económico e aumentar a capacidade produtiva nacional.

Uma das preocupações apresentadas pelo Presidente da Frelimo está relacionada com a exportação de matérias-primas sem transformação local.

Na sua perspectiva, Moçambique deve aumentar a capacidade de processar internamente os seus recursos naturais, criando emprego, aumentando receitas e permitindo que uma parcela maior do valor gerado pela exploração dos recursos permaneça no país.

Entre os recursos mencionados estão o ouro, carvão, gás, rubis, areias pesadas e grafite, considerados pelo dirigente como património pertencente aos moçambicanos.

Neste quadro, Chapo recordou algumas das reformas apresentadas pelo Governo e pela Frelimo como parte da estratégia económica:

Participação de 15% do Estado: a revisão da legislação mineira e petrolífera para assegurar uma participação mínima, gratuita e não diluível de 15% do Estado em projectos considerados estratégicos, com possibilidade de aumento à medida que estes amadureçam.

Novas instituições: a criação da Empresa Nacional de Minas e do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, apresentadas como instrumentos destinados a reforçar a capacidade do Estado na gestão dos recursos e no financiamento do desenvolvimento.

Inspecção Geral do Estado: uma instituição apontada como parte dos esforços para reforçar o mérito, o profissionalismo, a integridade e o combate à corrupção na Administração Pública.

Para Chapo, a expressão “fazer diferente para alcançar resultados diferentes” deve traduzir-se em decisões concretas.

O dirigente defendeu uma avaliação objectiva das políticas implementadas, mantendo as medidas que produziram resultados e corrigindo ou abandonando aquelas que não tenham alcançado os objectivos previstos.

Paz, reconciliação e situação em Cabo Delgado

A estabilidade política e social foi igualmente apresentada como condição necessária para o desenvolvimento económico.

Daniel Chapo referiu-se aos episódios de violência registados no período pós-eleitoral de 2024/2025, considerando que a destruição de infra-estruturas e a perturbação das actividades económicas afectaram famílias, empresas e comunidades.

Neste contexto, reiterou o compromisso da Frelimo com a consolidação da segurança e com o diálogo visando a reconciliação nacional.

A situação de Cabo Delgado ocupou também parte significativa do discurso.

Chapo reiterou o compromisso de trabalhar para a restauração da paz e da segurança na província, particularmente nas zonas afectadas pela violência armada.

“Cabo Delgado é Moçambique e o sofrimento da população de Cabo Delgado é o sofrimento de todos nós”, afirmou.

O Presidente da Frelimo pediu igualmente uma salva de palmas para os jovens das Forças de Defesa e Segurança que participam nas operações de defesa da integridade territorial.

Ao citar o antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela, Chapo associou directamente a paz ao desenvolvimento:

“Não há desenvolvimento sem paz e não há paz sem desenvolvimento.”

Na área social, o dirigente apontou programas como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FIDEL), o Fundo de Apoio a Iniciativas Juvenis e o Fundo de Empoderamento Económico da Mulher como instrumentos destinados a apoiar sectores considerados prioritários.

A juventude e as mulheres foram apresentadas como componentes importantes da estratégia para aproveitar o dividendo demográfico e ampliar a participação económica da população.

Conferência debate contribuições para o próximo Congresso

Depois do discurso de Daniel Chapo, os trabalhos da conferência prosseguiram sob orientação de Verónica Macamo, membro da Comissão Política da Frelimo.

Macamo apresentou a composição dos oito grupos de trabalho que irão conduzir os debates ao longo dos três dias da conferência.

Os delegados deverão analisar três pontos principais da agenda aprovada pela plenária.

O primeiro está relacionado com a apresentação e discussão das contribuições recolhidas nas reuniões gerais de células e comités de base realizadas entre 15 de Janeiro e 26 de Abril deste ano.

O segundo ponto diz respeito às linhas gerais para a elaboração das teses que deverão orientar o 13.º Congresso da Frelimo, previsto para o próximo ano.

O terceiro consiste na elaboração da proposta de recomendações a serem submetidas ao Comité Central, cuja reunião está marcada para 26 de Agosto, igualmente em Chimoio.

A sessão da manhã terminou por volta das 13h20, para a pausa de almoço. Os delegados retomaram os trabalhos às 15h20, dando início às discussões nos grupos de trabalho.

Chimoio no centro do debate político

Ao longo dos três dias, os participantes deverão aprofundar as propostas apresentadas na abertura e formular recomendações para apreciação pelas estruturas superiores do partido.

Na sua intervenção, Daniel Chapo procurou apresentar a conferência não apenas como um momento de discussão interna da Frelimo, mas também como uma oportunidade para reflectir sobre os principais desafios económicos, sociais e políticos de Moçambique.

Entre as prioridades destacadas estão a independência económica, a industrialização, a agricultura, a valorização dos recursos naturais, a paz, a reconciliação nacional, o combate à corrupção e o envolvimento da população na definição das prioridades de desenvolvimento.

A partir de Chimoio, o Jornal Visão Moçambique acompanha os trabalhos da XI Conferência Nacional de Quadros da Frelimo e as decisões que poderão influenciar a orientação política e económica do partido nos próximos anos.

Ângelo Manhengue
Enviado Especial do Jornal Visão Moçambique em Chimoio

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