
O Fundo está operacional desde o ano passado e é implementado pelo Banco Comercial de Investimentos (BCI), pelo Standard Bank e pelo Absa Bank.
Fundo de Garantia Mútuo de Moçambique quer ampliar fontes de financiamento
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A Sociedade de Garantias de Moçambique pretende ampliar as fontes de financiamento do Fundo de Garantia Mútuo, visando sobretudo as micro, pequenas e médias empresas, disse à Lusa a portuguesa que lidera a instituição.
Em entrevista à Lusa em Maputo, Beatriz Freitas explicou que o número de parceiros do fundo está “sempre a aumentar”, apesar das limitações decorrentes do facto de trabalhar apenas com instituições financeiras, apontando que a expetativa é dispor de novos financiamentos destinados a garantias mútuas dentro de cerca de um ano.
“Acho que daqui a um ano devemos ter outro financiamento para o fundo ou para criar um fundo novo. Daqui a um ano. Estes processos são longos de negociação, mas em princípio daqui a um ano, se o fundo continuar a crescer, devemos acrescentar um montante ao fundo (…) Isso ainda estamos a negociar e depende muito do que se vai passar nos próximos três meses, até ao final do ano, mais ou menos”, acrescentou.
O Fundo de Garantia Mútua está operacional desde o ano passado e é implementado pelo moçambicano Banco Comercial de Investimentos (BCI), pelo Standard Bank e pelo Absa Bank.
É financiado pelo Banco Mundial com uma dotação de 120 milhões de dólares (104,9 milhões de euros) e prevê assegurar financiamento a 15.000 empresas nacionais e contribuir para a criação de mais de 20.000 empregos, segundo a responsável.
“Estamos a trabalhar com outros parceiros, portanto, este projeto é financiado pelo Banco Mundial. Mas já tivemos várias manifestações de interesse de entidades, também doadores e outros financiadores que querem trabalhar connosco em garantias aqui em Moçambique”, disse.
Primeira mulher a liderar o fundo moçambicano, Beatriz Freitas assumiu funções após vencer um concurso internacional promovido pelo Banco Mundial. Anteriormente, desempenhou funções semelhantes em Portugal, Cabo Verde e Angola, além de ter trabalhado em projetos ligados às garantias mútuas na América Latina.
Desde o início das operações do fundo, nenhuma empresa beneficiária entrou em incumprimento dos financiamentos garantidos, o que significa que a Sociedade de Garantias de Moçambique ainda não foi chamada a executar qualquer garantia relativamente às cerca de 630 empresas apoiadas.
À Lusa, Beatriz Freitas disse que um dos maiores desafios é expandir a atividade para todas as províncias do país, numa altura em que a maior parte das operações continua concentrada em Maputo.
Face à crescente exposição do país a eventos climáticos extremos, o fundo equaciona criar uma linha específica destinada à cobertura destes riscos.
“Um dos objetivos do fundo é também fazer face a estes riscos climáticos que o país atravessa, ou seja, um dos objetivos é conseguir chegar às empresas quando elas precisam. E quando elas precisam é em momentos em que estão a investir e em momentos em que estão em crise devido a, por exemplo, cheias que aconteceram ano passado”, explicou.
Questionada sobre a possibilidade de algumas empresas encararem o mecanismo como uma forma de subsídio, Beatriz Freitas rejeitou essa interpretação.
“Não, sentimos isso no princípio porque como o fundo não dá crédito e não dá subsídios foi uma das questões que nós tivemos e que nos levou também a andar pelo país inteiro e a fazer divulgação para explicar isso às empresas e, às vezes, também aos parceiros como isto funcionava, porque nós só garantimos, nós não damos crédito”, explicou.
“O empresário vai ao banco, o banco analisa e dá o crédito ao empresário. O que nós fazemos é estarmos ao lado do empresário para arriscar e damos a garantia”, acrescentou.
O que acontece agora
A longo prazo, a responsável acredita que o sistema poderá também contribuir para a redução das taxas de juro cobradas às empresas abrangidas.
“Neste momento, o nosso principal objetivo é que o maior número de empresas tenha acesso ao crédito. A partir daí, quando o sistema financeiro perceber como funciona e o que ele pode ajudar, vai-se começar a sentir uma redução das taxas de juros nas operações que são por nós garantidas”, disse.
Beatriz Freitas mostrou-se confiante no potencial da economia moçambicana, destacando a agricultura como um dos setores com maior margem de crescimento.
“Acho que Moçambique tem tudo para crescer. É por isso que também uma das apostas deste projeto é a agricultura, que é um dos setores que pode ser mais potenciado aqui”, referiu.
A responsável defendeu que as garantias mútuas são um instrumento fundamental para impulsionar o crescimento empresarial, permitindo, numa fase mais avançada do sistema, reduzir o custo do financiamento.
“Quando os sistemas se tornam maduros, para além de ajudarem no acesso ao crédito, ajudam na redução do preço do crédito. E isso tem um impacto enorme para as empresas. Tem um impacto enorme no seu desenvolvimento e no seu crescimento, ter dinheiro mais barato é muito importante quando uma empresa está a começar e quando uma empresa quer crescer”, concluiu.
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Fonte original: SAPO





