O Governo de Moçambique prepara uma mudança estrutural na forma de construir e conservar estradas, apostando na introdução de novas tecnologias capazes de aumentar a durabilidade das infraestruturas rodoviárias, reduzir custos de manutenção e reforçar a resistência da rede viária aos efeitos das mudanças climáticas. A iniciativa enquadra-se no programa governamental “Mais Estradas – 2031”, que prevê a reabilitação e construção de mais de 3.500 quilómetros de estradas em todas as províncias do país.
O compromisso foi reafirmado pelo Ministro dos Transportes e Logística, João Jorge Matlombe, durante a abertura do Seminário de Divulgação de Novas Tecnologias para a Construção e Manutenção de Estradas, realizado na cidade de Maputo. O encontro reuniu especialistas da Administração Nacional de Estradas (ANE), do Laboratório Nacional de Engenharia, das Ordens dos Engenheiros e dos Consultores, empreiteiros e parceiros do sector rodoviário.
Na ocasião, o governante destacou que a modernização das técnicas de engenharia representa uma prioridade estratégica para responder aos desafios enfrentados pela rede viária nacional, sobretudo nas zonas frequentemente afectadas pelas chuvas intensas.
“O nosso objectivo é construir estradas com maior qualidade, durabilidade e sustentabilidade, recorrendo a tecnologias inovadoras que permitam quebrar o ciclo de destruição das vias sempre que ocorre a época chuvosa”, afirmou João Jorge Matlombe.
O ministro explicou que Moçambique já desenvolve experiências com diferentes estabilizantes de solos e outras soluções tecnológicas utilizadas em países da região, procurando identificar aquelas que melhor se adaptam às características geológicas e climáticas nacionais.
“Temos estado a testar diferentes tipos de estabilizantes ao longo do País e a recolher experiências dos países vizinhos. Queremos encontrar soluções adequadas à realidade moçambicana e consolidá-las para fortalecer a nossa rede de estradas”, explicou.
Segundo João Matlombe, o seminário teve igualmente como finalidade aproximar o Governo do sector privado, permitindo que empreiteiros apresentassem soluções inovadoras e discutissem a sua aplicação em função das especificidades dos solos existentes em cada província.
Enquanto isso, a Administração Nacional de Estradas reconhece que o país enfrenta desafios significativos na expansão e manutenção da sua rede rodoviária. Dados apresentados pelo Director-Geral Adjunto da ANE, Miguel Coanai, revelam que cerca de 80 por cento das estradas moçambicanas continuam sem pavimentação, realidade que condiciona a mobilidade, o desenvolvimento económico e o acesso das comunidades aos serviços básicos.
“Esta realidade coloca-nos desafios permanentes na construção, manutenção e conservação das infraestruturas rodoviárias, agravados pela escassez de materiais adequados, pelos elevados custos de transporte e pelos impactos das mudanças climáticas”, afirmou Miguel Coanai.
Perante este cenário, a ANE considera que o seminário representa mais do que um espaço de apresentação de produtos. A instituição pretende utilizar as novas soluções como base para estudos científicos e projectos-piloto que permitam avaliar o seu desempenho antes da sua adopção em larga escala.
“A ANE está totalmente empenhada em acompanhar todo o processo de testagem, monitorização e avaliação das secções experimentais. Apenas através de evidências técnicas sólidas será possível decidir sobre a adopção destas tecnologias nos futuros projectos rodoviários”, sublinhou Miguel Coanai.
Especialistas presentes defendem que a utilização de tecnologias inovadoras poderá reduzir significativamente os custos de manutenção das estradas, aumentar a vida útil das infraestruturas e minimizar as interrupções provocadas por eventos climáticos extremos, que nos últimos anos têm causado elevados prejuízos à economia nacional.
O programa “Mais Estradas – 2031” constitui uma das principais apostas do Executivo para reforçar a integração territorial, facilitar o escoamento da produção agrícola, dinamizar o comércio interno e melhorar a ligação entre distritos, províncias e corredores de desenvolvimento.
Com a implementação destas tecnologias, o Governo espera inaugurar uma nova fase na engenharia rodoviária moçambicana, baseada na inovação, sustentabilidade e maior eficiência na aplicação dos recursos públicos, contribuindo para uma rede de transportes mais resiliente e capaz de responder às necessidades do desenvolvimento económico e social do país.
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