Moçambique e África do Sul têm espaço para aprofundar as relações empresariais e transformar a proximidade entre os dois mercados
Moçambique e África do Sul têm espaço para aprofundar as relações empresariais e transformar a proximidade entre os dois mercados em novas oportunidades de investimento, exportação e parcerias para as empresas moçambicanas, segundo participantes num webinar sobre “Ambiente de Negócios: Investimento e Oportunidades para Empresas”, realizado esta terça-feira (29).
Durante o encontro, Miguel Jóia Santos, director-geral da ExportaMoz, considerou a África do Sul um mercado natural para Moçambique, devido à proximidade geográfica, à dimensão da economia sul-africana e à existência de cadeias desenvolvidas de distribuição, indústria, retalho, agro-processamento e serviços. Segundo o responsável, estas condições criam oportunidades para as empresas moçambicanas que consigam aumentar a produção e cumprir os padrões exigidos pelos mercados internacionais.
Miguel Jóia Santos defendeu, neste contexto, que a entrada de investimento em Moçambique deve ser acompanhada pelo desenvolvimento das empresas nacionais. Na sua perspectiva, as empresas nacionais não devem limitar-se a fornecer bens e serviços aos grandes projectos, mas aproveitar essas oportunidades para ganhar experiência, aumentar a escala de produção e melhorar a competitividade, criando condições para, posteriormente, exportarem para outros mercados.
Entre as áreas com potencial de negócio, o mesmo responsável apontou as cadeias de valor da castanha de caju, do gergelim, do feijão, da madeira, das pescas, da agro-indústria e dos minerais. No entanto, alertou que a existência de produção e de procura internacional não é suficiente para garantir o sucesso das exportações. Para concretizar essas oportunidades, as empresas precisam também de financiamento, qualidade dos produtos, capacidade de armazenagem, logística e mecanismos de mitigação dos riscos associados às operações.
No mesmo debate, Celso Cuamba, vice-presidente do pelouro de pequenas e médias empresas (PME) e conteúdo local da Câmara de Comércio Moçambique – África do Sul (CCIMOSA), destacou o peso da relação económica entre os dois países, observando que milhões de rands (moeda sul-africana) circulam diariamente em operações realizadas por moçambicanos na África do Sul, incluindo actividades informais. Para o responsável, a dimensão desse movimento demonstra a forte ligação económica entre os dois mercados, mas evidencia também a necessidade de criar mecanismos que facilitem a integração dessas actividades no sector formal.
Celso Cuamba defendeu ainda o aumento das plataformas de contacto entre empresários dos dois países, através de encontros empresariais, câmaras de comércio e fóruns sectoriais, mecanismos que, a seu ver, podem aproximar empresas, facilitar a identificação de parceiros e permitir que os empresários conheçam melhor as oportunidades de negócio e as formas de apoio disponíveis nos dois mercados.
Apesar destas oportunidades, o acesso a divisas continua a ser um dos principais constrangimentos para as empresas moçambicanas. O economista-chefe do Millennium bim, Oldemiro Belchior, apontou dificuldades na obtenção de moeda estrangeira para financiar a importação de bens de consumo, equipamentos e matérias-primas, uma situação que afecta sobretudo as micro, pequenas e médias empresas (MPME) e limita a sua capacidade de crescer e responder a novas oportunidades de negócio.
A par destes desafios, os participantes identificaram oportunidades de médio e longo prazo associadas aos grandes projectos, sobretudo nos sectores de energia, indústria, agro-indústria, mineração, logística e infra-estruturas, considerando que estes investimentos podem estimular o surgimento de novas cadeias de valor e criar condições para uma participação mais forte das empresas moçambicanas, tanto no fornecimento de bens e serviços como em actividades de maior valor acrescentado.
Para transformar essas oportunidades em negócios concretos, os participantes consideraram necessário que as empresas moçambicanas melhorem a produtividade, a gestão, a capacidade financeira e o cumprimento dos padrões internacionais. O reforço da cooperação entre empresas, bancos, seguradoras, investidores, operadores logísticos e instituições públicas foi apontado como importante para aumentar as exportações e aprofundar a integração económica entre Moçambique e África do Sul.
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Fonte original: diarioeconomico.co.mz
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