
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu na Segunda-feira (28), em Gaborone, Botswana, a transformação das relações históricas de amizade entre os dois países em negócios, investimentos e projectos económicos concretos, propondo quatro plataformas de cooperação centradas na logística e transportes, agricultura e agro processamento, turismo e industrialização.
Falando num fórum de negócios, um dos actos que marcaram o início da sua visita de Estado ao Botswana, o Chefe do Estado afirmou que Moçambique e Botswana devem aproveitar as vantagens complementares das suas economias para reforçar as relações comerciais e económicas.
“Viemos também para firmar o pacto que transforma essa amizade em investimento, a nossa proximidade regional em comércio e as oportunidades que os nossos dois países oferecem em negócios concretos e lucrativos para o sector privado de Moçambique e do Botswana”, disse.
Entenda o caso
Daniel Chapo considerou que o actual nível das trocas comerciais está aquém do potencial dos dois países, referindo que, entre 2021 e 2025, Moçambique exportou para o Botswana cerca de 79 milhões de dólares em bens e importou cerca de 13 milhões de dólares. Sublinhou, por isso, a necessidade de passar de uma relação predominantemente política e diplomática para uma parceria económica assente no comércio, investimento, produção, industrialização e criação de emprego.
Na área da logística e transportes, o Presidente apontou os portos de Maputo, Beira e Nacala e os corredores de desenvolvimento como infra-estruturas que podem contribuir para o comércio regional, defendendo investimentos conjuntos no Corredor do Limpopo, ferrovias, rodovias, energia e armazenamento de combustíveis. Segundo afirmou, a cooperação deverá contribuir para reduzir custos logísticos e tornar mais eficientes as cadeias de abastecimento entre os dois países.
Na agricultura, pecuária e agro processamento, Daniel Chapo propôs a criação de empresas conjuntas entre empresários moçambicanos e tswanas, aproveitando o potencial agrícola e os recursos hídricos de Moçambique e a experiência do Botswana no sector pecuário.
“Queremos produzir, processar, transportar e comercializar juntos na SADC e no mundo, acrescentando valor nos nossos países e construindo cadeias agroindustriais capazes de gerar segurança alimentar para os nossos povos, exportações e emprego para a nossa juventude e mulheres sobretudo”, afirmou.
O turismo foi igualmente apresentado como uma área de complementaridade, com o Presidente a defender a criação de circuitos integrados entre os destinos de conservação do Botswana e os destinos costeiros e de biodiversidade de Moçambique.
Destacou o potencial de Inhambane, Vilankulo, Pomene, Inhassoro e das ilhas para atrair investimentos em hotelaria, aviação, restauração, marinas e outros serviços ligados à cadeia de valor do turismo.
Sobre a industrialização, o Chefe do Estado defendeu que os dois países devem deixar de limitar-se à exportação de matérias-primas e apostar na transformação e agregação de valor. Referiu o potencial energético de Moçambique e os projectos de gás natural Coral Sul, Coral Norte, Moçambique LNG e Rovuma LNG, convidando os investidores dos dois países a participarem em projectos de produção de fertilizantes, geração e transmissão de energia e outras iniciativas industriais.
O que acontece agora
Por sua vez, o Presidente do Botswana, Duma Boko, considerou o fórum uma plataforma para aprofundar a parceria entre os dois países e avançar na cooperação económica, destacando sectores como agricultura, energia, infra-estruturas, manufactura, mineração, turismo, transporte e logística.
O estadista tswana afirmou que o encontro deve servir para “desbloquear oportunidades e construir economias lideradas pelo sector privado que sejam resilientes, inclusivas e globalmente competitivas”.
No encerramento, o Presidente Daniel Chapo apelou aos empresários dos dois países para transformarem as oportunidades identificadas em projectos e investimentos, defendendo maior integração económica no âmbito da SADC e da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
“Não esperem pelo futuro, construam-no connosco, transformemos a nossa geografia em economia, a nossa amizade em negócios e os nossos negócios em prosperidade partilhada”, afirmou. (GI)
Fonte original: Integrity Magazine




