Saúde

O reencontro dos farmacêuticos de língua portuguesa

Ricardo Santos, Secretário-Geral da Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP)

Ricardo Santos, Secretário-Geral da Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP)

De 25 a 27 de novembro, Maputo será palco do XV Congresso Mundial de Farmacêuticos de Língua Portuguesa, sob o lema “Juntos na Transformação da Saúde”.

Esta edição terá um significado especial para a Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP): oito anos depois, voltamos a encontrar-nos presencialmente.

Entenda o caso

A última edição presencial realizou-se em 2018, na Cidade da Praia, em Cabo Verde. Em 2020, perante a pandemia, a XIV edição decorreu exclusivamente em formato online. O encontro de Maputo representa, por isso, muito mais do que o regresso a um formato conhecido. É a oportunidade de voltar a reunir, no mesmo lugar, uma comunidade profissional que, apesar da distância geográfica, partilha uma língua, uma profissão e muitos dos desafios que hoje se colocam à Saúde.

A AFPLP representa mais de 400 mil farmacêuticos, distribuídos por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Somos sete países, em três continentes, com sistemas de saúde, recursos e realidades profissionais distintos. Essas diferenças não nos afastam. Pelo contrário, enriquecem-nos e permitem-nos aprender com a experiência, o conhecimento e os diferentes percursos de cada país. Une-nos a profissão que escolhemos e a língua que partilhamos. Duas forças que encurtam distâncias e nos fazem parte de uma mesma comunidade.

Não é, por isso, indiferente que este reencontro aconteça em Moçambique, num momento particularmente relevante para o desenvolvimento e a afirmação da profissão farmacêutica no país. A Associação dos Farmacêuticos de Moçambique (AFARMO) tem assumido a representação destes profissionais, num contexto em que continua a ser debatida a criação de uma Ordem dos Farmacêuticos. A AFPLP tem procurado acompanhar de perto este percurso, partilhando experiências dos diferentes países da comunidade lusófona e contribuindo para a reflexão sobre o papel que uma entidade autónoma de regulação profissional pode desempenhar na organização e no desenvolvimento da profissão.

Realizar o Congresso em Maputo é também afirmar a importância da cooperação entre os países de língua portuguesa na área da Saúde. A presença do Ministro da Saúde de Moçambique, da Presidente da AFPLP e do Presidente da Federação Internacional Farmacêutica (FIP) na sessão de abertura, a par do apoio da FIP e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), traduz a dimensão nacional e internacional deste encontro.

Transformar a Saúde exige profissionais preparados para responder a sistemas cada vez mais complexos e a desafios em permanente evolução. Exige conhecimento científico e inovação, capacidade regulatória, cadeias de abastecimento resilientes, uma utilização segura e racional dos medicamentos e capacidade de resposta perante emergências de saúde pública.

É em torno destes desafios que se desenvolverá o programa científico do Congresso. Serão abordados temas como a regulamentação, os ensaios clínicos, a prevenção de doenças transmissíveis, a resposta a emergências de saúde pública e o ensino farmacêutico. Os workshops permitirão aprofundar competências em áreas como os Serviços Farmacêuticos, a Avaliação de Tecnologias da Saúde e Farmacoeconomia, a Gestão da Cadeia de Abastecimento, a Rastreabilidade de medicamentos e produtos de saúde e a Farmacovigilância.

Esta diversidade de temas acompanha a própria evolução da profissão. O papel do farmacêutico é hoje cada vez mais abrangente e não envolve apenas o medicamento, mas também a promoção da saúde, a prevenção da doença, a segurança do doente, a investigação, a inovação e a resposta a situações de emergência.

É precisamente por isso que a cooperação entre os países de língua portuguesa é tão importante. Partilhar conhecimento, experiências e boas práticas permite-nos responder melhor aos desafios de cada país e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento da profissão em toda a comunidade lusófona.

O que acontece agora

O XV Congresso Mundial será um espaço de ciência e reflexão mas, acima de tudo, o reencontro de uma comunidade. Depois de oito anos, teremos novamente a oportunidade de reunir presencialmente farmacêuticos, académicos, profissionais de saúde e decisores dos diferentes países.

Em novembro, Maputo será o ponto de encontro de uma comunidade que, apesar das diferenças entre os seus países, continua a partilhar objetivos e responsabilidades comuns.

Voltamos a estar juntos para partilhar conhecimento, fortalecer a nossa cooperação e contribuir para transformar a Saúde.

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Fonte original: SAPO

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