Renamo acusa edil de Maputo de má planificação e possível desperdício de fundos públicos

A decisão do Conselho Municipal de Maputo de avançar com obras de sistemas de drenagem em plena época chuvosa está a gerar forte contestação política e a levantar questões sobre o planeamento e a gestão de recursos públicos na capital moçambicana.
A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) acusa o presidente do município, Rasaque Manhique, de conduzir intervenções urbanas sem o devido enquadramento técnico e estratégico, alegando que o momento escolhido para a execução das obras compromete a sua eficácia e pode resultar em desperdício de dinheiro público.
Em declarações críticas, o partido questiona a racionalidade da decisão do executivo municipal. “Não se percebe como um executivo sério inicia obras de sistemas de drenagem no período chuvoso”, refere a posição tornada pública pela Renamo, sublinhando que obras desta natureza exigem condições climáticas favoráveis para garantir qualidade e durabilidade.
Além do timing das intervenções, a Renamo denuncia aquilo que considera ser um sinal evidente de falta de coordenação no planeamento urbano. Segundo o partido, várias escavações estão a ser realizadas em avenidas que, há menos de seis meses, tinham sido alvo de obras de melhoramento do revestimento.
Para a oposição, esta situação levanta suspeitas sobre a eficiência na utilização dos recursos públicos. “Estamos perante uma manifesta situação de desperdício de recursos do erário público, falta de planificação, irracionalidade e ausência de visão estratégica para o desenvolvimento urbano”, afirma o partido.
A Renamo vai mais longe ao caracterizar o actual momento da governação municipal como um período de desorientação administrativa. “O executivo liderado por Rasaque Manhique está à deriva”, sustenta o posicionamento político, apontando falhas na condução das políticas de infra-estruturas da cidade.
Outro ponto levantado pelo partido prende-se com a origem do financiamento das obras. De acordo com a Renamo, parte significativa dos recursos utilizados provém de programas financiados pelo Banco Mundial, o que, na visão da oposição, exige maior rigor e transparência na gestão.
“O dinheiro gasto nessas obras não constitui uma doação. Trata-se de financiamento que se traduz em dívida pública e que, no fim, será suportada pelos munícipes”, alerta a Renamo.
As críticas surgem num momento em que Maputo enfrenta desafios estruturais relacionados com drenagem urbana, inundações e requalificação de vias, problemas que tendem a agravar-se durante a época chuvosa.
Até ao momento, o Conselho Municipal liderado por Rasaque Manhique não respondeu publicamente às acusações, que colocam sob escrutínio a forma como estão a ser planeadas e executadas as obras de infra-estrutura na capital.

Ângelo Zacarias Manhengue

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