
A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) reviu em baixa a previsão de crescimento da economia moçambicana para
A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) reviu em baixa a previsão de crescimento da economia moçambicana para 0,7% este ano, devido à escassez de dólares, às condições restritivas de financiamento e à fraqueza do investimento privado, factores que estão a limitar a actividade da indústria transformadora, construção e sectores dependentes de importações.
Na análise que acompanha a revisão do rating da dívida externa do País para CCC, a S&P prevê uma recuperação do crescimento económico para 2,5% em 2027. Contudo, os analistas alertam que a economia continuará condicionada, no curto prazo, por constrangimentos financeiros e cambiais.
Entenda o caso
O sector agrícola, que representa cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB), deverá também permanecer sob pressão devido às graves inundações e chuvas intensas registadas no primeiro semestre deste ano, às condições meteorológicas adversas associadas ao fenómeno climático El Niño no segundo semestre e às perturbações no fornecimento de fertilizantes provenientes do Médio Oriente.
O encerramento da fundição de alumínio da Mozal deverá igualmente pesar sobre o crescimento económico e a disponibilidade de divisas. Segundo a S&P, a unidade representa cerca de 2% do PIB e 20% das exportações de mercadorias de Moçambique.
A situação orçamental permanece frágil, num contexto de crescentes pressões sobre a despesa. Entre 2021 e 2025, os gastos com a massa salarial, benefícios e pensões aumentaram mais de 50%, atingindo cerca de 3,3 mil milhões de euros, o equivalente a 16% do PIB e a aproximadamente 70% da receita total do Estado.
Do lado das receitas, a cobrança de impostos ficou abaixo das expectativas devido aos desafios persistentes enfrentados pelo sector privado, incluindo condições restritivas de financiamento e a limitada disponibilidade de divisas. Para a S&P, esta situação tem afectado a liquidez do Estado e a sua capacidade de servir a dívida interna.
A agência prevê ainda que a inflação acelere para 6,1% em 2026, face aos 4,4% registados em 2025. A subida deverá reflectir sobretudo o aumento dos preços dos combustíveis e condições agrícolas menos favoráveis, apesar dos efeitos moderadores da procura interna contida e da relativa estabilidade cambial.
No mercado cambial, a S&P refere que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que o metical está sobrevalorizado em cerca de 15%. A agência associa esta avaliação à escassez de divisas e às actuais condições do mercado cambial.
A S&P considera que um novo programa com o FMI deverá exigir um compromisso firme com uma maior flexibilidade cambial. Os analistas prevêem uma depreciação moderada do metical até 2029, tendo em conta a escassez de divisas, embora a moeda continue a ser apoiada por alguns controlos cambiais implementados pelo banco central.
O que acontece agora
Para a S&P, a evolução das condições de financiamento, da disponibilidade de divisas e da taxa de câmbio continuará a ser determinante para o desempenho da economia moçambicana nos próximos anos, num contexto de recuperação do crescimento e de esforços para reforçar a sustentabilidade das contas públicas.
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Fonte original: diarioeconomico.co.mz






