
A S&P reviu em baixa para 0,7% a previsão de crescimento real da economia de Moçambique em 2026, pressionada pela escassez de dólares, pelas condições restritivas de financiamento e pela fraqueza do investimento privado. A agência prevê uma recuperação para 2,5% em 2027, mas alerta para um conjunto de factores que continuará a limitar a actividade […]
S&P corta previsão de crescimento de Moçambique para 0,7% em 2026
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A S&P reviu em baixa para 0,7% a previsão de crescimento real da economia de Moçambique em 2026, pressionada pela escassez de dólares, pelas condições restritivas de financiamento e pela fraqueza do investimento privado. A agência prevê uma recuperação para 2,5% em 2027, mas alerta para um conjunto de factores que continuará a limitar a actividade económica.
“A escassez contínua de dólares, as condições de financiamento restritivas e a fraqueza do investimento privado” estão a afectar sobretudo a indústria transformadora, a construção e os sectores dependentes de importações, escreve a S&P na nota que acompanha a revisão da sua avaliação sobre Moçambique, citada pela Lusa.
A pressão sobre o crescimento estende-se ao sector agrícola, que representa cerca de 30% do PIB. Segundo a agência, as graves inundações e chuvas intensas registadas no primeiro semestre de 2026, as condições meteorológicas adversas associadas ao fenómeno El Niño no segundo semestre e as perturbações no fornecimento de fertilizantes provenientes do Médio Oriente deverão penalizar a produção.
Outro factor de peso é o encerramento da fundição de alumínio da Mozal. A unidade representa cerca de 2% do PIB e 20% das exportações de mercadorias, pelo que a sua paralisação deverá afectar não apenas o crescimento, mas também a disponibilidade de divisas num país já confrontado com escassez de dólares.
A deterioração das perspectivas económicas surge num contexto de maior fragilidade das contas públicas. A S&P considera que a situação orçamental continua pressionada pelo aumento das despesas, destacando que os encargos com salários, benefícios e pensões cresceram mais de 50% entre 2021 e 2025, para cerca de 3,3 mil milhões de euros, equivalentes a 16% do PIB e a aproximadamente 70% da receita total do Estado.
O que acontece agora
A revisão do crescimento acompanha a descida do rating da dívida externa de Moçambique para CCC, dois níveis acima de “default”. A avaliação reflecte o quadro de vulnerabilidade financeira do país e acrescenta pressão sobre a capacidade do Estado de financiar a economia num contexto de escassez de divisas e de investimento privado reduzido.
A previsão de 2,5% para 2027 sugere uma recuperação, mas condicionada à melhoria das condições de financiamento, à maior disponibilidade de moeda estrangeira e à retoma do investimento. Até lá, a economia moçambicana permanece exposta a choques climáticos, industriais e cambiais que limitam a sua capacidade de crescimento.
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Fonte original: SAPO





