O presidente do partido FRELIMO, Daniel Chapo, afirmou que Moçambique liquidou antecipadamente a totalidade da sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), estimada em cerca de 700 milhões de dólares, justificando a decisão como uma questão de soberania nacional.
“A dignidade do povo moçambicano não tem preço”, declarou Daniel Chapo.
A declaração surge num contexto de questionamentos por parte de empresários e cidadãos, que apontam contradições entre o pagamento da dívida externa e os persistentes problemas financeiros internos, incluindo atrasos salariais e dívidas do Estado com fornecedores.
Esclarecimento público em meio a críticas
Falando esta quinta-feira na Escola Central do partido, no município da Matola, durante a 5ª sessão ordinária do Comité Central da FRELIMO, Chapo procurou dissipar dúvidas sobre a decisão governamental.
O encontro, que decorre de 9 a 12 do corrente mês, reúne 239 membros do Comité Central, além de secretários provinciais, distritais e outros convidados.
Segundo o dirigente, houve interpretações equivocadas sobre os valores pagos e as prioridades do Estado:
“Há um equívoco sobre os motivos do pagamento ao FMI. Trata-se de uma decisão estratégica, que visa proteger a soberania económica do país.”
Apesar disso, fontes ouvidas no meio empresarial consideram que a medida levanta preocupações quanto à gestão das finanças públicas, sobretudo num período em que empresas fornecedoras do Estado enfrentam dificuldades devido a pagamentos em atraso.
Disciplina interna continua a ser desafio
No seu discurso de abertura, Chapo reconheceu também fragilidades internas no partido, destacando a necessidade de reforçar a disciplina partidária.
“A disciplina partidária continua a ser um desafio dentro dos órgãos da FRELIMO.”
O líder político reagiu ainda às críticas externas, reafirmando a resiliência do partido:
“Enquanto outros lutam pelo fim da FRELIMO, o partido mantém-se firme porque é o partido do povo.”
Cabo Delgado e a questão da segurança
Outro ponto central do discurso foi a situação de segurança na província de Cabo Delgado, afetada por insurgência armada.
Chapo reconheceu o sofrimento da população local, mas assegurou que o governo está a reforçar a capacidade militar para combater o terrorismo.
“Estamos a trabalhar na preparação de meios técnicos e militares para combater o terrorismo. Sem paz, nenhum país consegue desenvolver.”
O dirigente reiterou ainda que, além da resposta militar, o partido continuará a apostar no diálogo como estratégia complementar para a estabilização da região.
