Dávio David
A família do Jovem recluso da cadeia de Máxima Segurança vulgo BO, Damião Mula acredita na nova tese do Procurador Geral da República, Dias Letela segundo a qual, o falecido milionário Nini Satar pode estar por trás do assassinato do advogado Elvino Dias. Segundo relatos da família, os tentáculos de Nini Satar eram tão longos e complexos ao ponto de mesmo tendo perdido à vida, continua a “governar” o mundo dos vivos.
Para justificar a sua convicção, apontam o caso do jovem Damião Mula, um recluso que mesmo tendo cumprido 12 anos de prisão efetiva na BO, e com mandado de soltura, continua a vegetar na BO, por esquemas maquiavélicos orquestrados, segundo eles, pelo próprio Nini Satar.
É que Mula requereu em 2018 liberdade condicional pelo cumprimento da metade da pena, contudo, o pedido foi recusado alegadamente por ter sido “oferecido” o crime de sequestro.
“O nosso filho foi preso em 2013, condenado a 12 anos de prisão pela 5ª Secção da Província de Maputo. Durante a sua reclusão na BO, tivemos informações que Nini Satar tentou lhe recrutar para o mundo de sequestros, mas porque ele se recusou, acabou sendo acusado de ser autor material no crime de sequestro do empresário Yacoob Ahmed Lunat, no dia 12 de Novembro de 2018, cerca das 20:00 horas quando este saia da mesquita no bairro Central, ao longo da Avenida Eduardo Mondlane”, revelam fontes familiares.
UM JULGAMENTO COM INDÍCIOS DE MANIPULAÇÃO
Aliás, segundo contam as nossas fontes, nessa faditica data, Damião Mula se encontrava preso na BO, a cumprir a pena de 12 anos, mas durante o julgamento do caso conduzido pela polémica juíza da 6ª Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, Ivandra Uamusse (a mesma antecessora do juiz Efigénio Baptista no julgamento do caso das dívidas ocultas), o tribunal, somente apresentou como provas materiais do seu envolvimento, declarações de testemunhas alegadamente”compradas” por Nini Satar, no caso, Leão Albino Wilson, Florência Pascoal Marrengula, Manuel Rofelado e Maria Mundo Mulocane, negligenciando outras diligências como a coleta de imagens do sistema prisional da BO, que provassem que Damião Mula foi “tirado” e regressado à cela após o cometimento do crime.
O mais caricato, de acordo com relatos da mesma família, um dos co-reus do processo de sequestro de Yacoob Lunat, de nome Wilson, ora igualmente preso, que teria aceitado ser recrutado por Nini Satar, foi pago somente 500 mil meticais, pelo crime mas depois foi “abandonado nas masmorras da cadeia”, enquanto que por seu turno , o SERNIC alegou e apresentou na altura todos os envolvidos no crime, isso dentro de 48 horas após o cometimento do crime.
Paradoxalmente, a vítima Yacoob Lunat só foi solto do cativeiro 3 meses depois de ter sido sequestrado.
“Durante o julgamento, ficamos ainda a saber que o dono do número de telefone usado para exigir o valor de resgate pelo sequestro de Yacoob Lunat também foi solto pelo tribunal, mas antes disse em declarações no tribunal que quem usava o seu número com frequência era um alegado tio que é agente do SERNIC”, revelaram ainda as fontes.
“Para nós fica claro que tanto a juíza, como o Ministério Público, dirigentes do sistema prisional, alguns agentes do SERNIC e até a imprensa trabalhavam para Nini, ele controlava uma vasta rede mesmo dentro da BO. Por essa razão a juíza Ivandra Uamusse condenou nossos filho mesmo sem provas convincentes e ainda desconfiamos que Nini pagou ao Tribunal Superior de Recurso para lhe manter preso na BO desde 2020, até hoje, se passam seis anos que o Tribunal Superior de Recurso não se pronúncia sobre o processo”, lamenta a família.
Segundo a defesa do Damião Mula, o TSR está a violar os direitos humanos do seu constituinte, pois não faz sentido que um processo que deu entrada naquela instância em 2020, até hoje, não há julgamento nem sequer um despacho sobre os pedidos de celeridade processual.
UM PRESO MESMO COM MANDADO DE SOLTURA
Ademais, conforme escrevemos na edição antepassada, a juíza da 5 ª Secção Criminal do Tribunal Judicial da Província de Maputo, Ricardina Gabriel assinou o mandado de soltura do Damião Mula, em Setembro de 2025, por ter cumprido na totalidade os 12 anos de prisão pelos crimes que foi acusado na altura, entretanto, por alegadas “ordens” o Ministério Público e TSR decidiram privar a liberdade do Mula sem nenhuma justificação plausível.
Em conversa com a defesa do Damião Mula, este promete processar os agentes de Estado envolvidos no que considera esquemas “draconianos” que demonstram “prostituição entre o judiciário e o crime organizado”, quiçá exigir do Estado uma choruda indemnização por violação dos Direitos Humanos do jovem Damião Mula.
Refira-se que não é primeira vez que há relatos de soltura de reclusos na BO para o cometimento de vários crimes hediondos, como nas vésperas das últimas manifestações pós eleitorais e bem como de envolvimento de agentes do SERNIC e da Polícia da República de Moçambique (PRM) no crime organizado do país.
