A persistência das cheias que voltaram a cortar a Estrada Nacional Número Um (EN1), principal corredor rodoviário do país, obrigou o Governo, através do Ministério dos Transportes e Logística (MTL), a anunciar a activação de um comboio extraordinário de passageiros com destino a Magude, na província de Maputo, numa clara admissão das limitações das infra-estruturas rodoviárias face a fenómenos climáticos recorrentes.
Segundo uma nota oficial do Ministério dos Transportes e Logística, a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso, o comboio especial parte no dia 27 de Janeiro, com regresso marcado para 28 de Janeiro, à mesma hora, tratando-se de uma medida excepcional para responder à situação de emergência criada pelo corte da EN1, que deixou centenas de cidadãos isolados.
No comunicado, o Governo informa que a Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) irá cobrar 50 meticais por viagem, um valor correspondente a metade da tarifa normal, numa tentativa de mitigar os impactos económicos sobre as populações afectadas. Contudo, a decisão levanta questões sobre a capacidade de resposta estrutural do Estado, num contexto em que situações semelhantes se repetem ciclicamente sem soluções definitivas.
Adicionalmente, o CFM anunciou a disponibilização de um comboio especial de mercadorias, que irá rebocar vagões de carga e duas carruagens destinadas ao transporte de acompanhantes, com partida prevista para quinta-feira, às 5 horas, a partir da estação da Matola Gare, no município da Matola, com destino a Magude. O regresso está igualmente previsto para o dia seguinte, numa operação que visa garantir o abastecimento mínimo às zonas afectadas pelo isolamento.
Paralelamente, o Ministério dos Transportes e Logística informou que, a partir de segunda-feira, 26 de Janeiro, uma embarcação transportando produtos de ajuda humanitária segue para o porto de Chongoene, na província de Gaza. De acordo com a mesma fonte, a embarcação deverá regressar à cidade de Maputo na quinta-feira, transportando passageiros — uma solução alternativa que evidencia a pressão sobre os meios logísticos do Estado.
Apesar das medidas anunciadas, fontes ouvidas pelo Visão Moçambique questionam a ausência de um plano preventivo robusto, sublinhando que o colapso recorrente da EN1 durante a época chuvosa expõe falhas persistentes na manutenção, no ordenamento territorial e na adaptação das infra-estruturas às mudanças climáticas, transformando soluções de emergência em práticas quase permanentes.
