
A Assembleia Municipal de Constância aprovou por unanimidade uma recomendação da CDU para atribuir o nome do professor e astrónomo Máximo Ferreira ao Centro Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia, projeto que ajudou a criar e ao qual esteve ligado na direção durante 26 anos. A recomendação, apresentada pelos eleitos da CDU na […]
A Assembleia Municipal de Constância aprovou por unanimidade uma recomendação da CDU para atribuir o nome do professor e astrónomo Máximo Ferreira ao Centro Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia, projeto que ajudou a criar e ao qual esteve ligado na direção durante 26 anos.
A recomendação, apresentada pelos eleitos da CDU na sessão realizada em 25 de setembro, propõe à Câmara Municipal que o equipamento passe a designar-se Centro Ciência Viva Professor Máximo Ferreira.
Entenda o caso
A proposta surge no ano em que Máximo Ferreira terminou funções na direção do equipamento, tendo sido sucedido pela astrónoma Lina Canas, que assumiu em março a direção executiva do Centro Ciência Viva.
Na fundamentação da proposta, a CDU destaca o “decisivo contributo” de Máximo Ferreira para a implantação em Constância daquele que é o único Centro Ciência Viva do país dedicado à astronomia, considerando a cessação das suas funções uma oportunidade para reconhecer e perpetuar a ligação de cerca de três décadas ao concelho e, em particular, àquele projeto.
Máximo Ferreira esteve ligado ao projeto desde a sua génese, primeiro como coordenador científico do Observatório Astronómico e da Natureza, inaugurado em 2000 e antecessor do atual equipamento, e depois como diretor do Centro Ciência Viva de Constância, após a integração na Rede Nacional de Centros Ciência Viva, em 2004.
Ao longo desse percurso, concebeu e acompanhou a produção dos conteúdos do Centro Ciência Viva de Constância, alguns deles originais, e ficou também associado à AstroFesta, encontro nacional dedicado à astronomia que concebeu e coordenou durante 30 edições, entre 1994 e 2025.
Nascido em Montalvo, no concelho de Constância, Máximo Ferreira começou a trabalhar aos 12 anos como paquete e aprendiz de mecânico na Metalúrgica Duarte Ferreira, no Tramagal. Depois de estudar na Escola Industrial e Comercial de Abrantes, serviu na Armada, passando pela Escola de Eletrotecnia, Esquadrilha de Submarinos e Planetário Gulbenkian.
Estudou posteriormente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Física e Ciências da Educação, tendo sido responsável pelo setor de Astronomia do Museu de Ciência daquela universidade e desenvolvido ao longo de décadas trabalho de divulgação e ensino nas áreas da física e astronomia.
O seu percurso científico levou-o também a integrar equipas de observação de eclipses totais do Sol na Finlândia, México, Brasil, Aruba, Hungria, Moçambique, Egito e Espanha. Desenvolveu projetos de âmbito nacional em colaboração com a Ciência Viva e integrou as comissões nacionais para o Ano Internacional da Astronomia, em 2009, e para o Ano Internacional da Luz, em 2015.
Autor e coautor de mais de uma dezena de livros, vários deles dedicados à explicação do céu e da astronomia, Máximo Ferreira desenvolveu igualmente uma presença regular na comunicação social, com participações em centenas de programas de rádio e televisão e colaboração em várias publicações.
Além da atividade científica, presidiu à Câmara Municipal de Constância entre 2009 e 2013 e é atualmente presidente da direção da Associação Casa-Memória de Camões e da Associação de Defesa do Património do Concelho de Constância.
O que acontece agora
Para os eleitos da CDU, a atribuição do nome ao Centro Ciência Viva permitirá reconhecer o contributo de Máximo Ferreira para a divulgação da astronomia e para a afirmação de Constância nesta área.
A aprovação da recomendação pela Assembleia Municipal, por unanimidade, não determina, contudo, a alteração imediata da designação do equipamento.
A proposta terá agora de ser aprovada pelos membros da Associação Centro Ciência Viva de Constância, que integra a Câmara Municipal de Constância, a Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, e o Instituto Politécnico de Tomar (atual Universidade Politécnica de Tomar).
Depois dessa aprovação, a proposta será submetida a deliberação da Câmara Municipal de Constância e regressará posteriormente à Assembleia Municipal para aprovação e ratificação final.
A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.
Fonte original: Médio Tejo






