O Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Joaquim Adriano Sive, fez duras observações sobre o desempenho e a postura de alguns agentes da corporação, alertando para o desgaste da imagem da polícia junto à população e para a necessidade urgente de reforço da disciplina e da formação profissional.
Em declarações recentes, Sive revelou que os policiais enfrentam críticas e desconfiança da sociedade não apenas no trabalho, mas também em contextos sociais e familiares. “Como força policial, estamos todos a ser avariados pela população — no local de trabalho, em casa e em outros espaços de convívio, como reuniões de xitique, igrejas e casamentos. Basta que alguém saiba que somos policiais, e a reação das pessoas é diferente”, disse, sugerindo que nem sempre a conduta dos agentes contribui para fortalecer a confiança pública.
A crítica do Comandante-Geral aponta para uma realidade delicada: embora existam elogios e sinais de reconhecimento pelo trabalho policial, há comportamentos dentro da própria corporação que fragilizam a imagem da PRM. “A segurança que transmitimos não depende apenas da nossa presença; depende de como agimos, da disciplina que mantemos e do respeito que demonstramos, mesmo fora do serviço”, enfatizou Sive.
O alerta foi feito durante uma visita à Escola Prática da Polícia de Matalana, onde o Comandante-Geral avaliou a preparação para o XLIV Curso da Polícia. Sive destacou a necessidade de uma formação mais rigorosa, que não se limite às competências técnicas, mas que também fortaleça valores éticos e disciplinares. Segundo ele, a melhoria contínua da formação é essencial para prevenir que atos individuais comprometam a credibilidade da força policial.
Além da formação, o Comandante-Geral sublinhou a importância de reforçar a ligação entre a polícia e a comunidade. Ele indicou que a falta de diálogo e de sensibilidade social entre alguns agentes contribui para a percepção negativa da corporação. “A polícia não pode atuar isoladamente. A confiança da população é conquistada diariamente, e cada ação do policial — dentro ou fora do serviço — reflete no coletivo”, declarou.
Durante a visita, Sive inspecionou as infraestruturas da escola e acompanhou atividades formativas, chamando atenção para a necessidade de disciplina e profissionalismo consistentes, especialmente em situações de confronto com a sociedade. A crítica sugere que a PRM reconhece fragilidades internas que podem afetar a eficácia da segurança pública, caso não sejam devidamente corrigidas.
O Comandante-Geral concluiu afirmando que a corporação precisa de um esforço conjunto para restaurar a imagem da polícia, fortalecer a confiança da população e garantir que os agentes atuem com integridade e responsabilidade, refletindo os valores institucionais da PRM.
