O Governo Provincial de Maputo desactivou 18 dos 35 Centros de Acomodação abertos para acolher vítimas das recentes inundações que afectaram vários distritos da província, na sequência da redução gradual do nível das águas nas principais bacias hidrográficas. A informação consta de um relatório oficial a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso junto do Executivo Provincial.
De acordo com o documento, dos 35 Centros de Acomodação inicialmente abertos para responder à situação de emergência, 18 permanecem actualmente activos, 14 foram desactivados e 3 centros foram absorvidos, no quadro do processo de reorganização do acolhimento das famílias deslocadas.
Os centros estiveram distribuídos pelos distritos de Matola (11), Boane (3), Magude (6), Manhiça (2), Marracuene (9) e Moamba (4), abrangendo as zonas mais afectadas pelas cheias provocadas pelas chuvas intensas registadas desde Janeiro.
Mais de seis mil pessoas assistidas
Os Centros de Acomodação activos acolhem actualmente 1.846 famílias, correspondentes a 6.973 pessoas. Segundo as autoridades, entre 12 de Janeiro e 4 de Fevereiro de 2026, todas estas pessoas beneficiaram de assistência humanitária alimentar e não alimentar, incluindo atenção especial a grupos vulneráveis, como crianças, idosos, mulheres grávidas e pessoas com deficiência.
No processo de reorganização, dois centros — IEDA e Malongotiva — foram absorvidos, tendo as respectivas famílias sido transferidas para o Centro da Escola Secundária Gwaza-Muthini e para o Condomínio Cumbeza, no distrito de Marracuene.
As autoridades provinciais referem que se regista uma saída gradual das pessoas afectadas dos centros de acomodação, motivada pela melhoria das condições nas zonas de origem, à medida que os níveis das águas baixam.
Com o encerramento de 13 centros adicionais, o número de pessoas actualmente a receber assistência humanitária foi reduzido para 5.798, mantendo-se, contudo, o apoio alimentar e não alimentar nos centros ainda em funcionamento.
Estradas intransitáveis em vários distritos
Apesar dos sinais de melhoria, o relatório do Governo Provincial aponta que várias vias de acesso continuam intransitáveis, sobretudo nos distritos de Magude, Manhiça, Moamba, Matutuíne e Marracuene, devido ao galgamento das águas e à saturação dos pavimentos.
No distrito de Magude, destacam-se a estrada R802 (Sábie/Mapulanguene), com saturação do pavimento ao quilómetro 92, e a R801 (Panjane/Macaene), afectada pela subida do caudal do rio Uanetse, ao quilómetro 29.
Em Manhiça, a estrada R413 (Maragra–Calanga) encontra-se com galgamento ao quilómetro 12 e entre os quilómetros 15 e 18. Já em Moamba, a R811 (Moamba/Bondoia/Magude) apresenta galgamento das águas do rio Incomáti ao quilómetro 50.
No distrito de Matutuíne, a estrada R406, no troço Salamanga–Catuane, regista galgamento entre os quilómetros 10 e 15, na zona baixa de Madubula. Em Marracuene, continuam problemáticas a R414 (Cruzamento da R413/Machubo), com galgamento ao quilómetro 2, e a R804 (Marracuene/Macaneta), onde se verifica alagamento significativo, bem como o surgimento de uma cratera junto à ponte e à cabine da portagem.
Melhorias na transitabilidade e acções em curso
Face à redução dos caudais das principais bacias hidrográficas nas últimas 24 horas, várias estradas anteriormente afectadas voltaram a ser transitáveis. Entre estas constam a N2 (km 10+400), a N200 (Drift de Umpala) e o Drift de Mazanbanine, no distrito de Boane.
No distrito de Matutuíne, encontram-se transitáveis a R407 (Porto Henrique/Namaacha) e a R408 (Drift de Mahau). Em Manhiça, registam-se melhorias na Estrada Nacional N1, no troço 3 de Fevereiro/Incoluane, bem como na R410 (Cruzamento da N1/Ilha Josina Machele) e na N201 (Xinavane/Magude), do quilómetro 2 ao 16. Em Moamba, a estrada R402 (Moamba/Sábie/Magude) já permite circulação.
Como parte das acções de resposta, equipas técnicas continuam a executar trabalhos de intervenção para ultrapassar os pontos de intransitabilidade ainda existentes. No âmbito destas acções, foi reposta a transitabilidade nos seis cortes registados na Estrada Nacional N1, no troço 3 de Fevereiro/Incoluane, encontrando-se actualmente aberto ao tráfego condicionado.
As autoridades provinciais asseguram que o acompanhamento da situação permanece activo, com vista à reposição total das infra-estruturas afectadas e à conclusão segura do processo de retorno das famílias às suas zonas de origem.
