Reforço da frota municipal aumenta em 15% a capacidade de recolha de resíduos, enquanto autarquia aposta na descentralização e na fiscalização para responder à pressão urbana
A Cidade da Matola assinala 54 anos de existência num contexto particularmente complexo, marcado por intensas chuvas que, nas últimas semanas, provocaram inundações urbanas, danos em infraestruturas críticas e constrangimentos significativos à mobilidade e às actividades económicas. O cenário voltou a expor fragilidades estruturais antigas, sobretudo no que diz respeito à gestão de resíduos sólidos urbanos e ao funcionamento dos sistemas de drenagem.
Dados do Conselho Municipal da Matola indicam que a acumulação de lixo em valas de drenagem e espaços públicos continua a ser um dos principais factores de agravamento das cheias em vários bairros da cidade. O crescimento urbano acelerado, aliado à pressão demográfica e a práticas persistentes de deposição inadequada de resíduos, tem colocado desafios acrescidos à capacidade de resposta do município.
Foi neste quadro que, no âmbito das comemorações dos 54 anos da cidade, o Presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, apresentou um conjunto de medidas destinadas a reforçar a capacidade operacional da edilidade na recolha e gestão de resíduos sólidos urbanos. O edil reconheceu que a limpeza urbana constitui hoje um dos principais eixos estratégicos da governação municipal, por estar directamente ligada à saúde pública, à resiliência climática e à imagem da cidade.
Segundo Júlio Parruque, o desafio da limpeza urbana não se esgota na aquisição de equipamentos, exigindo igualmente uma mudança de comportamento por parte dos munícipes. O autarca sublinhou que a deposição correcta do lixo deve ser encarada como um dever cívico, defendendo a necessidade de consolidar uma cultura urbana em que práticas como atirar resíduos na via pública deixem de ser socialmente aceitáveis.
No plano operacional, o município procedeu à apresentação de uma nova frota composta por 10 camiões destinados à recolha de resíduos sólidos urbanos, nomeadamente três camiões compactadores com capacidade de 16 metros cúbicos, quatro camiões basculantes de 22 metros cúbicos e três camiões do tipo skip com capacidade de 6 metros cúbicos. Estes meios juntam-se a uma frota já existente de 66 equipamentos, entre tractores, camiões basculantes, compactadores, pás carregadoras, bulldozers e skips, bem como mais de 75 contentores metálicos e plásticos distribuídos por diferentes zonas da cidade.
Com este reforço, a edilidade estima um aumento de cerca de 15% da capacidade actual de recolha de resíduos sólidos urbanos. A autarquia sustenta que o impacto desta medida dependerá, em grande medida, da manutenção regular dos equipamentos e da sua distribuição equilibrada pelos bairros, sobretudo nas zonas periféricas, onde a pressão urbana tem sido mais acentuada.
Entre as iniciativas estruturantes anunciadas destaca-se o projecto “Um Bairro, Um Tractor”, que prevê a alocação de 20 tractores directamente aos bairros, com o objectivo de reduzir o tempo de resposta às situações de acumulação de resíduos e reforçar a gestão descentralizada da limpeza urbana. A medida é apresentada pelo município como uma estratégia de aproximação dos serviços às comunidades e de maior responsabilização dos actores locais.
Paralelamente, foram inauguradas quatro viaturas destinadas à Polícia Municipal, com vista ao reforço da fiscalização do cumprimento das posturas municipais, particularmente no que se refere à deposição ilegal de resíduos. A edilidade reconhece que a eficácia das políticas de limpeza urbana depende não apenas da capacidade operacional, mas também da aplicação efectiva de medidas sancionatórias e de acções de educação cívica.
O Conselho Municipal assegura que o compromisso assumido com os munícipes da Matola inclui a implementação de um plano de manutenção preventiva e regular da frota, visando garantir a funcionalidade dos meios e evitar constrangimentos operacionais que, no passado, comprometeram a regularidade da recolha.
Ao completar 54 anos, a Cidade da Matola enfrenta o desafio de conciliar crescimento urbano, resiliência climática e responsabilidade cívica. As medidas anunciadas representam um esforço de resposta estrutural, cuja eficácia será avaliada à luz da redução das inundações, da melhoria da limpeza urbana e da capacidade do município de sustentar, no médio e longo prazos, uma cidade mais organizada e ambientalmente responsável.
