Edil da Matola adverte contra “nhonguistas” e promete vigilância apertada para evitar subida artificial de preços
O presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, lançou um forte aviso contra possíveis esquemas de especulação no mercado do gás natural, numa altura em que o Governo moçambicano se prepara para introduzir 190 autocarros movidos a gás na região metropolitana de Maputo, como parte das medidas destinadas a reduzir a crescente crise de transporte público.
Durante uma intervenção pública marcada por um tom firme e crítico, Parruque manifestou preocupação com indivíduos e grupos que possam aproveitar-se da nova procura por gás natural para inflacionar preços e criar dificuldades artificiais no mercado. O edil recorreu ao termo popular “nhonguistas” para descrever aqueles que, segundo afirmou, tentam enriquecer à custa das dificuldades da população.
“Há pessoas que, quando percebem que o Estado está a investir numa determinada área, imediatamente pensam em formas de explorar o povo. Não vamos permitir que os nhonguistas transformem o gás num produto de luxo”, advertiu Parruque.
A introdução dos 190 autocarros movidos a gás surge como uma das principais apostas governamentais para aliviar a pressão sobre o sistema de transporte público na Grande Maputo, onde milhares de passageiros enfrentam diariamente longas filas, superlotação e escassez de meios de transporte.
Segundo fontes governamentais, a iniciativa visa não apenas melhorar a mobilidade urbana, mas também reduzir os custos operacionais do sector dos transportes e promover o uso de energias consideradas mais limpas e sustentáveis.
No entanto, a expectativa de aumento da procura por gás natural já começa a gerar receios entre consumidores e operadores económicos, sobretudo devido ao histórico de especulação de preços em períodos de maior procura de combustíveis e produtos essenciais.
Parruque garantiu que as autoridades municipais, em coordenação com instituições reguladoras e forças de fiscalização, irão monitorar atentamente o comportamento do mercado para impedir aumentos injustificados.
“O gás não pode tornar-se inacessível por causa da ganância de alguns. O benefício desta medida deve chegar ao cidadão comum, e não apenas aos bolsos dos especuladores”, declarou.
Analistas ouvidos por diferentes sectores da sociedade consideram que a entrada dos autocarros movidos a gás poderá representar uma transformação importante na mobilidade urbana da região metropolitana, mas alertam que o sucesso da medida dependerá da estabilidade dos preços e da capacidade do Estado em regular o mercado.
A crise de transporte em Maputo e Matola tem sido uma das principais preocupações da população nos últimos anos, agravada pelo crescimento acelerado urbano, insuficiência da frota pública e aumento constante do custo dos combustíveis.
Com a chegada dos novos autocarros, o Governo espera reduzir o tempo de espera nas paragens, melhorar a circulação de passageiros e criar uma alternativa energeticamente mais económica. Entretanto, a advertência deixada por Júlio Parruque revela que as autoridades já antecipam possíveis tentativas de manipulação do mercado.
“Desenvolvimento não pode ser sinónimo de sofrimento para o povo. Quem tentar especular será responsabilizado”, concluiu o edil.
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