Ossufo Momade denuncia “mão da FRELIMO” na campanha de assinaturas para sua destituição

O presidente da RENAMO, Ossufo Momade, denunciou a existência de supostos membros da FRELIMO infiltrados entre antigos guerrilheiros da sua formação política, que estariam a apoiar um processo de recolha de assinaturas com vista à sua destituição do cargo de presidente do partido.
A declaração foi feita durante uma visita oficial à delegação política distrital de Manhiça, na província de Maputo, num momento em que cresce a tensão interna em torno da liderança da organização. Segundo Momade, a movimentação em curso não se limita a um simples exercício de contestação interna, podendo estar associada a interesses externos e a uma eventual tentativa de fragmentação partidária.
Recolha de assinaturas levanta suspeitas
A iniciativa de recolha de assinaturas decorre, de acordo com informações tornadas públicas, na cidade da Matola, considerada o principal centro industrial do país. O processo estaria a ser conduzido por antigos guerrilheiros ligados à estrutura histórica do partido, que alegadamente manifestam descontentamento com a atual liderança.
Contudo, Momade sustenta que há indícios de infiltração política no movimento, apontando para a possível participação de membros ligados ao partido no poder. O líder da RENAMO considera que tal cenário pode configurar uma estratégia organizada com objetivos que ultrapassam divergências internas legítimas.
“O processo de recolha de assinaturas pode estar relacionado com a preparação da criação de um novo partido político”, alertou o dirigente, acrescentando que situações semelhantes já ocorreram anteriormente dentro da organização, tendo resultado em episódios de instabilidade interna.
Contexto político e implicações internas
A RENAMO, principal força da oposição moçambicana durante várias décadas, tem enfrentado desafios internos nos últimos anos, incluindo divisões entre a liderança política e antigos combatentes. A alegada mobilização atual reacende debates sobre coesão, legitimidade interna e estabilidade organizacional.
Analistas políticos apontam que movimentos de contestação interna em partidos históricos podem refletir tanto disputas de liderança quanto disputas estratégicas sobre o posicionamento político nacional. A eventual confirmação de infiltração externa, caso comprovada, poderá agravar o clima de desconfiança e aprofundar divisões no seio partidário.
Apelo à unidade e vigilância interna
Durante o seu pronunciamento em Manhiça, Momade apelou aos membros e simpatizantes da RENAMO para que não adiram à recolha de assinaturas e que denunciem quaisquer indivíduos envolvidos no processo que considerem agir de má-fé.
O presidente reforçou a necessidade de vigilância interna e de preservação da unidade partidária, sublinhando que a estabilidade organizacional constitui elemento essencial para a consolidação democrática e para o fortalecimento da oposição no país.

Ângelo Zacarias

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