Paulo Tomás destaca a Carta-Compromisso saída da conferência de Maputo e defende acções antecipadas, sistemas de aviso prévio e maior envolvimento das comunidades face aos riscos climáticos.
Ler mais: Países africanos comprometem-se a reforçar financiamento para prevenção de desastres, anuncia INGDOs Estados-membros participantes na Conferência Internacional sobre Riscos de Desastres e Resiliência em África foram chamados a reforçar a disponibilização de recursos financeiros para a gestão de riscos de desastres, com enfoque na prevenção, na resiliência e na adopção de medidas antecipadas.
O anúncio foi feito por Paulo Tomás, porta-voz do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), ao avaliar os resultados dos três dias de trabalhos da conferência, realizada de 13 a 15 de Outubro de 2026, na cidade de Maputo.
Segundo o responsável, o encontro permitiu aprofundar a discussão sobre o acesso ao financiamento, o fortalecimento da resiliência, a melhoria dos sistemas de aviso prévio e a participação das comunidades na prevenção e resposta às calamidades.
“Penso que saímos daqui fortalecidos, tendo em conta os vários debates que nós tivemos”, afirmou Paulo Tomás, considerando positivo o balanço dos trabalhos para Moçambique e os restantes países participantes.
O porta-voz explicou que as discussões culminaram na elaboração de uma Carta-Compromisso, que prevê o envolvimento dos Estados-membros na mobilização de recursos para a gestão dos riscos de desastres.
De acordo com Tomás, o documento seria submetido à assinatura dos Estados-membros durante a reunião ministerial de 15 de Outubro, com o objectivo de transformar as recomendações técnicas em compromissos de acção.
Financiamento e resiliência entre as prioridades

Paulo Tomás destacou a necessidade de alargar a base de financiamento destinada à gestão de riscos de desastres, de modo a permitir que os países disponham de recursos para investir na prevenção e na redução da vulnerabilidade das populações.
O responsável considerou igualmente importante reforçar a resiliência a nível nacional e continental, tendo em conta os desafios associados aos fenómenos climáticos extremos e os seus impactos sobre as comunidades e as infra-estruturas.
A melhoria dos sistemas de aviso prévio foi outra das prioridades identificadas durante a conferência. Segundo o porta-voz, a gestão dos riscos deve adoptar uma abordagem inclusiva, envolvendo as instituições públicas, os parceiros e as comunidades.
O envolvimento comunitário é considerado importante para facilitar a circulação de informações, melhorar a preparação local e permitir que as populações adoptem medidas de protecção antes da ocorrência de situações de emergência.
INGD alerta para desafios associados ao El Niño
Abordando a preparação para o fenómeno El Niño, Paulo Tomás afirmou que os países africanos devem reforçar as medidas antecipadas para reduzir os possíveis impactos associados às alterações das condições climáticas.
Segundo o porta-voz, os Estados participantes manifestaram disponibilidade para enfrentar os riscos, embora persistam dificuldades relacionadas com a dimensão das necessidades financeiras para implementar medidas de prevenção e mitigação.
“Com as acções antecipadas, que já fazem parte deste pacote do ciclo de gestão de desastres, aliadas às previsões, achamos que poderemos ter menos impacto relacionado a este fenómeno”, declarou.
O responsável sublinhou, assim, a importância de associar as previsões meteorológicas a decisões concretas, de modo a permitir que as autoridades e as comunidades se preparem com antecedência.
A implementação destas medidas depende, contudo, da disponibilidade de recursos, da coordenação entre as instituições e da capacidade de fazer chegar os avisos às populações expostas aos riscos.
Compromissos exigem execução prática
A conferência reuniu representantes de Estados africanos e parceiros envolvidos na gestão de riscos de desastres, com o objectivo de debater estratégias para reforçar a prevenção e a resiliência no continente.
Para Moçambique, a mobilização de financiamento, a melhoria dos sistemas de aviso prévio e a participação das comunidades constituem áreas relevantes para reduzir a exposição aos desastres naturais.
O principal desafio após o encontro consiste em assegurar que as recomendações e os compromissos assumidos se traduzam em medidas concretas, acompanhadas de recursos financeiros e mecanismos de monitoria.

Comentários
Seja o primeiro a comentar.