
Novo líder assume a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários num momento marcado por fortes desafios no sector dos transportes públicos
Paulo Muthisse foi eleito, esta sexta-feira, novo presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), obtendo 25 votos durante o processo eleitoral realizado pela organização.
A eleição marca uma mudança na liderança da federação e coloca Muthisse à frente de uma das principais estruturas representativas dos operadores de transporte rodoviário em Moçambique. A informação sobre o resultado eleitoral foi avançada ao Jornal Visão Moçambique, devendo os restantes detalhes do escrutínio — incluindo o número total de votantes, outros candidatos e a composição da nova direcção — ser conhecidos à medida que forem divulgados oficialmente.
Regresso à liderança de uma organização que já conhece
A chegada de Paulo Muthisse à presidência da FEMATRO ocorre depois de vários anos de intervenção pública no sector dos transportes. Antes da eleição, Muthisse já desempenhava funções de destaque na organização, tendo sido identificado em diferentes momentos como vice-presidente da FEMATRO para a área do transporte interprovincial e também como porta-voz da federação. (Carta de Moçambique)
Em Dezembro de 2024, por exemplo, Muthisse representava a FEMATRO nas discussões com o Governo sobre a aplicação de um desconto de 10% nas tarifas dos transportes interprovinciais. Na ocasião, explicou que a medida resultara de concertações entre os transportadores e o Executivo. (Carta de Moçambique)
A sua experiência no sector poderá assumir particular relevância numa altura em que os transportadores enfrentam questões relacionadas com custos operacionais, tarifas, combustível, manutenção das viaturas, disponibilidade de autocarros e sustentabilidade financeira das empresas.
Um sector sob pressão
A FEMATRO tem estado no centro de vários debates nacionais relacionados com o transporte de passageiros. Nos últimos anos, a organização tem defendido ajustes nas tarifas para responder ao aumento dos custos de operação.
Em 2023, Muthisse, então porta-voz da federação, explicou que os transportadores enfrentavam custos elevados com combustíveis, salários, pneus, lubrificantes, peças sobressalentes e manutenção das viaturas. (O País)
Mais recentemente, em Maio de 2026, a FEMATRO voltou a estar envolvida nas negociações com o Governo em torno dos mecanismos de apoio aos transportadores, num contexto de pressão sobre o sistema de transporte público. Entre as medidas anunciadas encontrava-se a disponibilização de novos autocarros. (mznews.co.mz)
Novo mandato traz expectativas
A eleição de Muthisse deverá colocar sobre a nova direcção da FEMATRO a responsabilidade de representar os interesses dos operadores perante o Governo e outras entidades, mas também de contribuir para soluções para os problemas que afectam diariamente os passageiros.
Entre os principais desafios estarão a melhoria da qualidade e regularidade do transporte, a sustentabilidade dos operadores, a renovação da frota, a segurança rodoviária e o diálogo institucional sobre tarifas e políticas públicas de mobilidade.
A experiência anterior de Muthisse nas negociações com o Governo poderá ser um elemento importante neste processo. Em 2023, ao comentar uma proposta de alteração das tarifas, defendia que os transportadores precisavam de encontrar soluções através do diálogo com o Executivo. (O País)
Continuidade e mudança
A eleição também representa uma mudança significativa na estrutura de liderança da FEMATRO. Até Maio de 2026, Castigo Nhamane era apontado como presidente da federação, cargo que ocupava desde 2014. (Carta de Moçambique)
A passagem para uma nova liderança acontece, portanto, num período particularmente sensível para o sector, marcado por debates sobre subsídios, tarifas e sustentabilidade dos serviços de transporte.
Com 25 votos, Paulo Muthisse inicia agora uma nova etapa à frente da FEMATRO, com expectativas elevadas por parte dos operadores e num sector cujo funcionamento tem impacto directo na mobilidade de milhões de moçambicanos.





