A advogada Thera Dai foi eleita Bastonária da Ordem dos Advogados de Moçambique, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo máximo da instituição desde a sua criação. A eleição decorreu este sábado e assinala uma mudança relevante num sector tradicionalmente dominado por homens.
O escrutínio colocou frente a frente quatro candidatos, num processo competitivo que terminou com vitória clara da Lista D, encabeçada por Thera Dai. Na corrida estiveram também Stayler Marroquim (Lista A), Pedro Macarringue (Lista B) e Samuel Hlavanguane (Lista C), que não conseguiram superar a vantagem da vencedora.
Mais do que um resultado eleitoral, a eleição de Thera Dai representa um sinal de transformação interna na classe, com potencial para impulsionar maior inclusão e diversidade nos órgãos de decisão da advocacia.
Transição num momento crítico
Thera Dai deverá substituir Carlos Martins, cujo mandato termina em Junho, numa fase considerada sensível para o sector jurídico. Entre os principais desafios identificados estão o reforço da ética profissional, a modernização dos serviços jurídicos, a ampliação do acesso à justiça e o combate à morosidade processual.
Fontes próximas do processo eleitoral apontam para uma liderança mais interventiva, com maior proximidade à classe e foco na valorização dos advogados, sem comprometer a defesa da independência do sistema judicial.
Expectativa de mudança efectiva
A eleição ocorre num contexto de crescente participação feminina em áreas estratégicas do país, ainda que a presença de mulheres em cargos de topo continue reduzida. Neste quadro, a ascensão de Thera Dai assume carácter simbólico, mas também coloca pressão por resultados concretos.
Internamente, há expectativa de uma gestão menos burocrática e mais orientada para soluções práticas — uma exigência recorrente entre os profissionais do sector.
Impacto no Estado de Direito
A Ordem dos Advogados é uma peça-chave no funcionamento do Estado de Direito. A actuação da nova Bastonária poderá influenciar directamente a condução de processos judiciais, a defesa dos direitos fundamentais e a credibilidade das instituições.
O cenário está definido: a classe espera menos promessas e mais execução.
