O vice-presidente da Assembleia Provincial de Gaza, Agnaldo Navalha, denunciou publicamente o alegado incumprimento do executivo provincial no pagamento de dívidas a empresários locais, levantando também suspeitas de favorecimento em concursos públicos.
Numa publicação feita na sua página oficial do Facebook, Navalha afirma que existe um clima de tensão entre a Confederação das Associações Económicas (CTA) e os empresários da província, por um lado, e o executivo provincial, por outro.
“A CTA e os empresários de Gaza encontram-se num braço de ferro com o executivo provincial, sobretudo devido a dívidas avultadas e ao facto de, há vários anos, estes não conseguirem ganhar concursos públicos na província”, escreveu.
O responsável foi mais longe ao alegar que os empresários locais denunciam a existência de um alegado favorecimento sistemático de um único operador económico.
“Os empresários afirmam que apenas um empresário tem vencido concursos públicos e executa obras sem qualidade, sendo apontado como alguém com relações próximas com a liderança provincial”, referiu.
As críticas estendem-se à governadora da província, Margarida Mapandzene, a quem Navalha atribui práticas irregulares na gestão de contratos públicos.
“É do conhecimento público que a governadora regressou recentemente de viagem e deslocou-se imediatamente a locais que poderão constituir futuras fontes de rendimento, avaliando infraestruturas que poderão ser alvo de reabilitação”, afirmou.
Segundo Navalha, há ainda suspeitas de conflitos de interesse envolvendo empresas ligadas a familiares da governadora.
“Há indicações de que concursos públicos envolvendo empresas associadas a familiares próximos são recorrentes, o que levanta sérias preocupações sobre transparência e legalidade nos processos”, declarou.
O vice-presidente da Assembleia Provincial alerta também para possíveis irregularidades na adjudicação de projetos de reconstrução, particularmente de infraestruturas afetadas por calamidades naturais.
“Existe a perceção de que, caso determinadas empresas não vençam concursos, estes podem ser anulados, o que compromete a confiança no sistema”, acrescentou.
Face às acusações, Navalha defende a necessidade de maior fiscalização e responsabilização, sublinhando que a situação atual não deve ser normalizada.
“Não podemos continuar a admitir este tipo de práticas em Gaza. A liderança deve pautar-se pela transparência e pelo interesse público”, concluiu.
Até ao momento, o executivo provincial de Gaza não se pronunciou publicamente sobre estas acusações.
