O advogado Damião Cumbane lançou acusações graves contra a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), sugerindo a existência de um alegado esquema sofisticado que, segundo afirma, remete a métodos históricos associados ao período do apartheid na África Austral.
De acordo com o jurista, no contexto da morte de Elvino Dias, terá sido montado um sistema de navegação falso — conhecido como VOR (Very High Frequency Omnidirectional Range) — com o objetivo de induzir em erro operações aéreas e autoridades envolvidas. Cumbane estabelece um paralelo direto com o incidente de 1986 que resultou na morte do então Presidente moçambicano Samora Machel, ocorrido nas colinas de Mbuzini.
“Montaram-lhe um VOR falso, à moda do VOR montado pelos sul-africanos em 1986, que levou ao desvio e queda do avião presidencial”, afirmou.
Referências Históricas e Alegada Continuidade de Redes
Ao aprofundar a sua argumentação, Damião Cumbane sustenta que indivíduos ligados ao alegado “assassinato” de Samora Machel permanecem ativos e com influência nos círculos de decisão.
“Uma grande parte da componente moçambicana que tomou parte no ‘assassinato’ de Samora Machel continua viva e a difundir as suas longas experiências à nova geração de líderes”, declarou.
O advogado levanta ainda dúvidas sobre as circunstâncias que rodearam a tragédia de 1986, sublinhando a ausência de figuras centrais do círculo presidencial no voo fatal.
“Não nos esqueçamos que Samora Machel morreu rodeado de serventes e chefes de menor destaque. Nenhum dos principais membros do círculo do poder seguiu viagem com o Presidente. Estranho!”
Paralelos com o Presente
Estabelecendo ligação com a atualidade, Cumbane afirma que métodos semelhantes teriam sido replicados num episódio recente envolvendo o Procurador-Geral da República, Américo Letela.
“Desta feita, com recurso a essas longas experiências, montou-se um falso VOR para levar o PGR Américo Letela a aterrar num lodaçal”, afirmou.
Segundo o advogado, indivíduos que anteriormente terão proferido ameaças contra Elvino Dias — e que, alegadamente, manifestaram satisfação com a sua morte — não surgem diretamente associados aos factos sob investigação.
“Todos os que estiveram a proferir ameaças ao Elvino Dias e os que, de seguida, rejubilaram com o seu macabro assassinato, não aparecem. É assim como age o crime organizado.”
Silêncio Institucional e Apelos à Investigação
Até ao momento, a Procuradoria-Geral da República não reagiu publicamente às declarações. Especialistas em assuntos jurídicos e políticos alertam que acusações desta natureza, pela sua gravidade, exigem apuramento rigoroso e independente.
Analistas sublinham que o caso poderá ter implicações profundas na confiança pública nas instituições, caso não seja devidamente esclarecido, reforçando a necessidade de transparência e responsabilização.
