Investimento de 500 milhões de dólares reforça capacidade logística e antecipa novo ciclo de crescimento em 2028
O Porto de Maputo prevê concluir, no primeiro trimestre de 2027, a expansão dos terminais de contentores e de carvão, no quadro de um investimento estimado em 500 milhões de dólares, iniciado em 2024. O projecto visa reforçar a capacidade operacional da principal infra-estrutura portuária do País e consolidar o seu papel estratégico na região.
A informação foi avançada pelo director-executivo da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), Osório Lucas, à margem da 9.ª Conferência Bianual do Porto de Maputo.
“Devemos terminar a expansão do terminal de contentores no primeiro trimestre de 2027 e a expansão do terminal de carvão também no primeiro trimestre de 2027”, afirmou.
Segundo o gestor, o plano em curso integra a ampliação de terminais, modernização de infra-estruturas e aquisição de equipamentos de alta capacidade. A primeira fase decorre até finais de 2027 e deverá consolidar a eficiência logística do porto.
Novas obras e reforço de cais

Depois da recente expansão do terminal de carga geral, a próxima etapa inclui a construção de cerca de 400 metros de cais entre os espaços 2 e 4, com arranque previsto ainda este ano. Em paralelo, será lançado um concurso para estudos de aprofundamento do canal de acesso, visando permitir a entrada de navios de maior porte.
“O nível de conforto que temos é que estamos a cumprir na íntegra aquilo que foram os planos de desenvolvimento”, sublinhou Osório Lucas.
Equipamento reforça capacidade operacional
No terceiro trimestre deste ano, o porto deverá receber duas novas gruas móveis adquiridas ao fabricante Liebherr, avaliadas em cerca de 13 milhões de dólares cada.
“As gruas chegam entre Julho e Setembro. Cada uma tem capacidade de 65 toneladas e permitirá manusear cerca de 400 toneladas por hora, o que vai acelerar significativamente o nosso crescimento”, explicou.
Corredor de Maputo em crescimento

O desenvolvimento do porto está alinhado com o desempenho do Corredor de Maputo, que registou um crescimento de cerca de 8% na movimentação de mercadorias entre 2024 e 2025. No último ano, o Porto de Maputo atingiu um recorde de 32 milhões de toneladas manuseadas, mais 3,4% face ao período anterior.
Este crescimento resulta da intensificação do uso das infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, com destaque para o aumento do transporte por estrada e variações positivas no escoamento ferroviário.
Parcerias e integração logística

O plano de modernização envolve parceiros estratégicos como os Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a concessionária Trans African Concessions, assegurando maior integração das cadeias logísticas.
A concessão do porto à MPDC vigora até 2058 e é suportada por uma parceria que inclui os Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a Portus Indico, consórcio internacional do sector logístico.
Impactos externos sob vigilância

Apesar do desempenho positivo, a gestão do porto reconhece sinais de চাপ internacional, nomeadamente associados ao conflito no Médio Oriente, com efeitos no custo de fretes e em alguns atrasos operacionais.
“Ainda que reduzidos, os impactos fazem-se sentir sobretudo no aumento do custo de frete dos navios e em alguns atrasos no manuseamento”, referiu.
“De uma forma geral ainda não percebemos um impacto muito grande, mas estamos atentos e a desenhar planos de contingência”, acrescentou.
2028 no horizonte

Com a execução dos investimentos em curso, a expectativa da gestão é clara:
“A nossa expectativa é que o ano de 2028 seja um ano de realizações, face àquilo que são os investimentos que estamos a realizar neste momento.”
A conferência bianual, realizada sob o lema “Porto de Maputo: Alinhado com o Corredor, a Construir o Futuro”, reúne os principais intervenientes do sector para discutir soluções que reduzam custos logísticos, eliminem constrangimentos operacionais e reforcem a competitividade do corredor face aos desafios do comércio regional e internacional.
O Porto de Maputo entra, assim, numa nova fase de expansão — com mais capacidade, mais eficiência e maior peso estratégico na economia da África Austral.
