O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apontou a existência de mais de 1.500 comités locais de gestão do risco de desastres como um dos factores fundamentais para a melhoria da capacidade de Moçambique na prevenção e resposta aos fenómenos naturais extremos.
Ler mais: Daniel Chapo destaca papel dos comités comunitários na redução de mortes por desastres naturaisFalando na abertura da Conferência Africana sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência, que decorre de 13 a 15 de Outubro, na cidade de Maputo, o Chefe do Estado destacou o envolvimento das comunidades na disseminação de alertas antecipados e na preparação das populações para situações de emergência.
Segundo Daniel Chapo, estes comités contribuem para que a informação sobre riscos chegue às comunidades através de línguas locais, megafones e rádios comunitárias, permitindo que as populações tenham mais tempo para adoptar medidas de protecção.
O Presidente apontou a evolução registada entre as cheias de 2000, que provocaram mais de 700 mortes, e as cheias ocorridas no início de 2026, durante as quais, segundo os dados apresentados na sua intervenção, o número de vítimas mortais foi inferior a 200, apesar da magnitude dos fenómenos.
Na mesma ocasião, Daniel Chapo procedeu ao lançamento do quarto Relatório Bienal Africano sobre a Implementação do Quadro de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, referente ao período de 2023 a 2024.
De acordo com os dados apresentados pelo Chefe do Estado, as cheias, os ciclones tropicais e as secas representam cerca de 90% dos danos provocados por desastres no continente africano. O número de ocorrências aumentou de 612 para 738, enquanto o total de mortes ultrapassou 74 mil pessoas e cerca de 64 milhões de pessoas foram afectadas.
As perdas económicas associadas aos desastres ultrapassaram oito mil milhões de dólares norte-americanos, demonstrando a dimensão dos desafios que África enfrenta na prevenção e gestão dos riscos.
Daniel Chapo recordou ainda que Moçambique possui nove bacias hidrográficas e contribui pouco para as emissões globais de poluentes, mas continua altamente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas.
Neste contexto, defendeu maior justiça climática, financiamento sustentável e maior rapidez na disponibilização de assistência internacional aos países afectados por fenómenos extremos.
O Chefe do Estado reiterou que o investimento nos sistemas de aviso prévio, na preparação das comunidades e na capacidade de resposta das instituições é essencial para reduzir perdas humanas e materiais.
A conferência decorre sob o lema centrado no reforço da governação proactiva e do investimento estratégico para a redução do risco de desastres e a construção de uma África resiliente.

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