
Quando o glam rock encontra o Rio, a rua vira passarela e Ipanema ganha um novo dress code
Luís Leão, Presidente do instituto coalizão rio
Não exatamente o preto minimalista da temporada, mas aquele preto com atitude, volume, brilho e uma certa insolência que só o rock sabe vestir. Na manhã de sábado, 5 de setembro, uma das esquinas mais conhecidas do Rio de Janeiro saiu por alguns minutos da rotina para receber uma intervenção de moda que parecia ter escapado de um editorial.
Um ônibus vermelho parou próximo à Igreja Nossa Senhora da Paz. As portas se abriram. De dentro, modelos vestidas em total black começaram a caminhar pelas ruas Visconde de Pirajá e Joana Angélica. Pedestres pararam. Motoristas reduziram a velocidade. Celulares apareceram. Ipanema, acostumada a assistir à moda passar, virou parte dela.
A ação foi organizada pelo Instituto Coalizão Rio, presidido por Luís Leão e pela diretora Michelle Fernandes, em parceria com o concept stylist Fernando Torquatto e o estilista Guilherme Tavares, como uma prévia dos desfiles-cápsula que serão apresentados durante o Rio Off Club, na Marina da Glória, em outubro. O projeto ocupará o espaço entre os dias 8 e 11 e 15 e 18 de outubro, reunindo moda e diferentes experiências de lifestyle.
O que aconteceu em Ipanema, porém, tinha menos cara de divulgação e mais espírito de fashion happening.
E talvez essa seja justamente a graça.
Glam, baby
A coleção Toda GT Upcycle Woman, de Guilherme Tavares, mergulha no imaginário glam-rock dos anos 1980, quando o preto era quase um uniforme de personalidade e o excesso fazia parte do jogo.
Fernando Torquatto levou essa referência para a beleza. Cabelos, maquiagem e styling foram pensados para recuperar aquela estética em que rock, moda e cultura pop ainda se misturavam sem pedir licença.
“Guilherme criou uma coleção toda em negro que é puro luxo. Dessas que a gente cada vez vê menos por aí. É total atitude glam-rock. Por isso, apostei em beleza dos anos 1980, quando o rock estava na moda e o pop ainda não havia sido pasteurizado”, explica Torquatto.
Mas existe uma segunda camada nessa história.
O luxo da coleção nasce justamente de materiais que já haviam perdido seu lugar na indústria. Tecidos nobres, como zibelina, cetim bucol e organza, peles sintéticas e até câmaras vazias de pneus entram em um processo de transformação pelas mãos do estilista. O resultado é uma moda que não tenta esconder sua origem: transforma o que seria descarte em peça de desejo.
É o upcycling sem cara de discurso sustentável.
Mais fashion. Menos explicação.
O Rio como cenário
Para Luís Leão, presidente do Instituto Coalizão Rio, levar uma ação como essa para Ipanema também é uma forma de reafirmar a vocação da cidade.
“O Rio de Janeiro tem uma capacidade única de transformar cultura em experiência e experiência em oportunidade. Moda, música, criatividade e comportamento já fazem parte da identidade carioca. O que precisamos é transformar essa potência em um verdadeiro polo de negócios, atraindo empresas, marcas, talentos e investimentos e colocando o Rio no centro das grandes conversas da moda e do lifestyle.”, afirmou Luis.
A declaração traduz uma visão que o presidente do Instituto Coalizão Rio vem defendendo publicamente: fortalecer a imagem do Rio, melhorar o ambiente de negócios e criar conexões capazes de gerar desenvolvimento para o Estado.
Uma esquina, um editorial
O detalhe mais interessante talvez esteja justamente na escolha do lugar.
Não foi uma sala fechada. Não foi um hotel. Não foi uma passarela convencional, nem um centro de convenções, foi em Ipanema…
O ônibus vermelho estacionado ao lado da igreja, as modelos de preto atravessando a rua, a música, o espumante oferecido aos passantes e a reação espontânea de quem não sabia exatamente o que estava acontecendo produziram aquela rara sensação de que a cidade havia sido tomada, por alguns minutos, por uma cena de cinema.
A ação aconteceu no mesmo fim de semana de abertura do Rock in Rio, criando uma conexão natural entre o universo da música e uma moda que tem o rock como referência estética.
E se existe uma cidade brasileira capaz de sustentar esse encontro, é o Rio. Porque lá a moda não precisa ficar confinada ao backstage. Ela pode atravessar a rua, parar o trânsito e descer de um ônibus vermelho em plena Ipanema e brilhar por alguns minutos, fazer todo mundo olhar.
Os próximos capítulos dessa história acontecem na Marina da Glória, durante o Rio Off Club, que terá programação de 8 a 11 e de 15 a 18 de outubro. O evento é uma iniciativa do Instituto Coalizão Rio e foi concebido como um grande encontro de moda, lifestyle e experiências.
Depois de uma manhã como essa, fica uma pergunta no ar:
e se o próximo grande polo fashion brasileiro estiver exatamente onde sempre esteve… no Rio?







