Líder do PIMO apela à transformação da cidadania política em cidadania económica e critica modelo democrático baseado na sobrevivência estomacal
O presidente do Partido Independente de Moçambique (PIMO), Yacub Sibindy, voltou a provocar intenso debate político e social ao defender publicamente a necessidade de os partidos políticos moçambicanos abandonarem aquilo que classificou como “democracia de mendigos”, propondo em substituição uma nova visão assente na “Democracia de Desenvolvimento Sustentável” orientada para o “Capitalismo Social”.
As declarações foram feitas através da sua página oficial no Facebook, onde o dirigente político apresentou uma visão crítica do actual sistema democrático nacional, acusando-o de promover dependência económica, sobrevivência política e exclusão produtiva da maioria da população.
Segundo Yacub Sibeny, Moçambique necessita urgentemente de uma transformação estrutural da sua democracia, defendendo que o país deve deixar de viver sob um modelo político centrado apenas em interesses partidários e promessas de sobrevivência imediata.
“Temos que sair da DEMOCRACIA de mendigos para construir uma nova era da DEMOCRACIA de Desenvolvimento Sustentável, rumo ao Capitalismo Social”, afirmou o presidente do PIMO.
O político acrescentou ainda que a sociedade moçambicana precisa ultrapassar aquilo que chamou de “cidadania indígena”, substituindo-a por uma “cidadania económica”, baseada na produção, autonomia financeira e inclusão económica dos cidadãos.
“Temos que substituir o actual estágio da cidadania indígena, evoluindo para a cidadania económica”, declarou Sibindy.
Na mesma publicação, o líder do PIMO criticou severamente o funcionamento das instituições democráticas do país, afirmando que o actual sistema político serve essencialmente para acomodar interesses restritos das elites partidárias, sem gerar impacto económico real para a maioria da população.
Segundo Sibindy, o povo moçambicano deve abandonar o voto motivado por necessidades imediatas de sobrevivência e passar a votar em programas nacionais de desenvolvimento sustentável.
“O povo tem que passar a votar na agenda da Nação e não nas agendas da democracia de sobrevivência estomacal, defendido pelo actual sistema para somente acomodar 250 desempregados na Assembleia da República, assim como nas outras Assembleias democráticas”, sustentou.
As declarações do dirigente político surgem numa altura em que cresce o debate nacional sobre reformas políticas, inclusão económica e o papel dos partidos políticos no combate à pobreza, desemprego juvenil e dependência económica em Moçambique.
Analistas políticos consideram que o discurso de Yacub Sibindy representa uma tentativa de introduzir uma narrativa alternativa no panorama político nacional, centrada na transformação económica como principal fundamento da democracia moderna.
Entretanto, sectores críticos entendem que as afirmações do líder do PIMO podem gerar controvérsia devido ao tom duro utilizado contra o actual sistema democrático e às referências directas às instituições representativas do Estado.
Apesar disso, o posicionamento de Sibindy reforça o crescente debate sobre a necessidade de modelos políticos mais inclusivos, sustentáveis e orientados para o desenvolvimento económico dos cidadãos.
