O antigo presidente do Conselho Constitucional, Hermenegildo Gamito, revelou ter sofrido pressão política durante a governação do Presidente Filipe Nyusi, no período em que liderava o órgão máximo de fiscalização constitucional do país.
Falando numa entrevista concedida à estação televisiva privada MBC TV Gamito afirmou que existiram vários constrangimentos institucionais e divergências com o então Chefe de Estado, situação que, segundo explicou, dificultou o exercício independente das suas funções.
“Houve momentos de forte pressão política e institucional durante o exercício das minhas funções no Conselho Constitucional”, declarou Hermenegildo Gamito.
O antigo dirigente considerou ainda que o seu contributo na busca de soluções para vários desafios nacionais não foi devidamente reconhecido pelas autoridades governamentais da época.
“Sinto que muitos dos esforços realizados para ajudar o país a ultrapassar crises e desafios importantes não tiveram a valorização merecida”, afirmou.
Durante a entrevista, Hermenegildo Gamito abordou também a actual necessidade de fortalecimento do diálogo político e social em Moçambique. O jurista defendeu um modelo de diálogo nacional mais inclusivo, envolvendo diferentes sensibilidades políticas, sociais e económicas, como forma de promover estabilidade e desenvolvimento sustentável.
“Moçambique precisa de um diálogo verdadeiramente inclusivo, onde todos os sectores da sociedade se sintam representados”, sublinhou.
Gamito entende que apenas através da inclusão efectiva e da participação ampla será possível consolidar a paz, reforçar as instituições democráticas e impulsionar o desenvolvimento do país.
As declarações do antigo presidente do Conselho Constitucional surgem num contexto em que vários sectores da sociedade moçambicana continuam a defender reformas institucionais, maior transparência governativa e reforço da independência dos órgãos de justiça.
