A Directora Distrital de Infra-Estruturas de Metuge encontra-se sob custódia das autoridades, após ter sido detida na última sexta-feira, em Mieze, na posse de mais de meia tonelada de produtos alimentares destinados às famílias deslocadas pelo terrorismo em Cabo Delgado.
O caso foi tornado público esta tarde pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que apresentou a dirigente e um motorista que a acompanhava no momento da intercepção. Segundo as autoridades, ambos seguiam com o carregamento de forma discreta, mas sem conseguir escapar à fiscalização.
Orlando Pacela, oficial do SERNIC, detalhou que os produtos apreendidos — arroz, farinha de milho, açúcar e óleo — fazem parte do apoio humanitário reservado aos deslocados que se encontram em situação de vulnerabilidade. A dupla foi interceptada no posto de controlo de Muepane, quando tentava transportar a mercadoria para a cidade de Pemba.
Pacela explicou que a detenção resultou de uma denúncia seguida de investigação célere. “São produtos da ajuda humanitária, retirados de um dos armazéns em Metuge. O SERNIC está a trabalhar para apurar se há ou não mais cúmplices”, afirmou, sublinhando que as investigações prosseguem para determinar o destino final da carga e eventuais redes envolvidas.
O sucedido volta a expor a crise de integridade na gestão de donativos destinados às comunidades afectadas pela violência armada no norte do país. Enquanto milhares sobrevivem apenas com o básico, casos como este mostram que ainda há quem veja a miséria alheia como oportunidade de lucro rápido — uma realidade que revolta e exige responsabilização firme, sem rodeios.
O processo segue os trâmites legais, devendo os indiciados responder pelo crime de desvio de bens públicos e violação de procedimentos humanitários. A sociedade aguarda, agora, que a Justiça actue com o peso necessário, para que roubos ao sofrimento de inocentes deixem de ser rotina.

