O presidente do município, Júlio Parruque, abandonou temporariamente o seu gabinete para pernoitar no bairro de Boquisso, localizado no posto administrativo de Infulene. A iniciativa visa acompanhar de perto o drama vivido pelas famílias cujas residências foram engolidas pelas águas, numa crise que se estende por várias regiões do país.
A decisão surge num contexto de agravamento das inundações que têm vindo a fustigar o território nacional, deixando um rasto de destruição e vulnerabilidade social. Em Boquisso, dezenas de agregados familiares encontram-se desalojados, vivendo em condições precárias e dependendo de assistência emergencial.
“Não podíamos continuar a gerir esta situação à distância. Era fundamental estar aqui, sentir a realidade e ouvir diretamente as preocupações da população afetada”, afirmou Parruque, durante a sua permanência no bairro.
O edil fez-se acompanhar pelo chefe do posto administrativo de Infulene, Bernardo Majope, bem como por outros quadros do município, numa ação que pretende reforçar a coordenação local e acelerar respostas às necessidades mais urgentes.
As autoridades municipais destacam que estão em curso esforços para reassentamento das famílias afetadas, distribuição de bens essenciais e monitoria contínua das zonas de risco. Entretanto, residentes relatam dificuldades persistentes, sobretudo no acesso a água potável, alimentos e abrigo seguro.
A presença do presidente no terreno é vista por alguns moradores como um sinal de compromisso institucional, embora persistam dúvidas quanto à rapidez e eficácia das soluções apresentadas. “É importante que venham ver, mas precisamos de respostas concretas e rápidas”, disse um dos residentes afetados.
A situação em Boquisso reflete um cenário mais amplo de vulnerabilidade face a eventos climáticos extremos, que continuam a desafiar a capacidade de resposta das autoridades locais e nacionais
