Marracuene — O presidente do Conselho Municipal de Marracuene, Shafee Sidat, confirmou ao Jornal Visão Moçambique que vai avançar com um processo judicial por calúnia e difamação contra Carlos Jeque, membro do partido FRELIMO e antigo presidente do Conselho de Administração dos Aeroportos de Moçambique.
A decisão surge na sequência de declarações públicas feitas por Carlos Jeque, neste domingo, numa das estações privadas de televisão, onde afirmou que o edil de Marracuene teria prometido acabar com a sua vida — acusações consideradas graves, infundadas e atentatórias à honra do presidente municipal.
Acusação pública gera reação imediata
De acordo com informações apuradas pelo Visão Moçambique, as declarações de Carlos Jeque foram feitas em direto na TV Sucesso, causando repercussão significativa no espaço público e político, sobretudo no município de Marracuene.
Fontes próximas ao processo indicam que a acusação foi recebida com profunda preocupação pelas autoridades locais, tendo levado o edil a consultar os seus assessores jurídicos ainda no mesmo dia.
Pedido de desculpas rejeitado
Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Visão Moçambique, Shafee Sidat confirmou que Carlos Jeque o contactou horas depois da emissão televisiva, com o objetivo de apresentar um pedido de desculpas e demonstrar arrependimento pelas declarações proferidas.
No entanto, o presidente do Conselho Municipal foi categórico ao afirmar que não aceita o pedido de desculpas e que o caso seguirá os trâmites legais.
“Carlos Jeque contactou-me hoje para pedir arrependimento sobre aquilo que disse na TV Sucesso, ao afirmar publicamente que eu queria matá-lo. Não aceito esse pedido. Trata-se de uma acusação muito grave, que atinge a minha honra, a minha imagem e a instituição que represento. Por isso, o processo judicial vai avançar”, declarou Shafee Sidat ao Visão Moçambique.
Processo judicial e pedido de indemnização
O edil revelou ainda que já recebeu a respetiva notificação e que o processo será submetido ao Tribunal competente, onde Carlos Jeque deverá responder formalmente pelas acusações de calúnia e difamação.
Segundo Sidat, a ação judicial incluirá um pedido de indemnização, cujo valor — caso venha a ser atribuído — será canalizado para fins sociais no município.
“A indemnização que vou exigir será destinada ao apoio das vítimas acolhidas nos centros de acolhimento existentes no município de Marracuene, sobretudo vítimas de abusos praticados por chefias, que carecem de assistência e proteção”, acrescentou.
Esclarecimentos públicos previstos
O Jornal Visão Moçambique apurou ainda que Shafee Sidat deverá conceder uma entrevista pública na TV Sucesso esta quarta-feira, onde pretende esclarecer os munícipes de Marracuene e o público em geral, reafirmando a sua posição e apresentando a sua versão dos factos.
Até ao fecho desta edição, Carlos Jeque não respondeu aos pedidos de esclarecimento enviados pelo Visão Moçambique.
O jornal continuará a acompanhar o desenrolar do caso, no respeito pelos princípios do contraditório, do rigor jornalístico e da presunção de inocência.
